Um dia, daqueles
dias devagarinho com pés de lã e andar de caracol,
vou ter uma
conversa com a vida para ver se ela me explica a razão:
de tudo o que
já me deu com as mãos e me tirou do chão;
do pouco que
dela sei cada vez menos de mim.
Vou
encher-me de coragem
e olhá-la
bem dentro dos olhos:
sem medo de
me ver cheia de medo de me enfrentar
e encará-la
de frente como se fosse minha.
Vou
dizer-lhe sem qualquer hesitação
que já pode
tirar as suas luvas cor de neve:
já estou
tonta de tanto rodopiar
entre o que
penso, o que sou e o que faço.
Vou
segredar-lhe baixinho
que o sol
nem sempre me acorda para ela:
acho até
que, zangado, invade bruscamente o meu dia
para me ver
caída nos meus pensamentos vagos.
Vou
mostrar-lhe que, apesar dos tropeções,
tenciono sentir-me
feliz dentro da minha pele:
sou como sou
não sei graças a quem me fez Ser
como me
sinto tão mais por inteiro de mim.
Um dia,
daqueles dias que cheiram a vida depois da chuva,
vou sacudir
o pó dos meus sonhos,
arrumar a
bagunça em que me encontro
e partir em
busca de tudo o que fui perdendo…

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