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sábado, 4 de abril de 2015

Cheiro a vida



Um dia, daqueles dias devagarinho com pés de lã e andar de caracol,
vou ter uma conversa com a vida para ver se ela me explica a razão:
de tudo o que já me deu com as mãos e me tirou do chão;
do pouco que dela sei cada vez menos de mim.

Vou encher-me de coragem
e olhá-la bem dentro dos olhos:
sem medo de me ver cheia de medo de me enfrentar
e encará-la de frente como se fosse minha.

Vou dizer-lhe sem qualquer hesitação
que já pode tirar as suas luvas cor de neve:
já estou tonta de tanto rodopiar
entre o que penso, o que sou e o que faço.

Vou segredar-lhe baixinho
que o sol nem sempre me acorda para ela:
acho até que, zangado, invade bruscamente o meu dia
para me ver caída nos meus pensamentos vagos.

Vou mostrar-lhe que, apesar dos tropeções,
tenciono sentir-me feliz dentro da minha pele:
sou como sou não sei graças a quem me fez Ser
como me sinto tão mais por inteiro de mim.

Um dia, daqueles dias que cheiram a vida depois da chuva,
vou sacudir o pó dos meus sonhos,
arrumar a bagunça em que me encontro
e partir em busca de tudo o que fui perdendo…



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