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terça-feira, 16 de setembro de 2014

Ser assim



Sou mesmo parva.
É isso que sou: parva.

Quem me manda idealizar
se o Homem é humano
e nunca ideal?

Quem me manda sonhar
quando a vida me acorda
a cada minuto que respiro?

Sou mesmo parva.
Haja melhor palavra que espelhe
este querer viver diferente
e deixar-me-ei de achar
tão estupidamente parva.
É isso que sou: estupidamente parva.

Quem me manda pensar
com o coração a transbordar
de ilusões infantis?

Quem me manda andar
com a cabeça no mundo do encantamento
quando este mundo onde vivo
está cheio de realidades
frívolas e desinteressantes?

Sou mesmo estupidamente parva.
Não há alma alguma que me surpreenda
com a simplicidade do inesperado.
Que me leve de mim para dentro
e me dê a mão a cada medo meu.

Quem me manda ser assim?


2 comentários:

  1. Sem duvida, fala a indecisão , fala a inquietude, fala alguem que tem o atrevimento de se auto titular de "parva" que reconhecidamente, apenas tem o valor semântico, pois objetivamente está bem longe de o ser.
    Este poema espelha apenas o comportamento de um comum mortal que adora olhar-se ao espelho e bajular-se com a sua beleza interna.
    Quando assume a sobreposição adjetiva de estupidamente parva, não o afirma de forma rebaixadora da sua nobre condição mas sim como forma de entrecortar e degolar o impeto do seu querer ser contra o não sei se quero. Um contraditório digno de figurar num estudo de caso , uma afirmação que a solidão exige que se afirme ou a falta do opmbro Amigo que os anais da história tanto sublinham.
    Em sintese, lindo e belo poema, escrito por uma digna e promissora escritora.

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