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domingo, 12 de junho de 2022

Mudos, surdos, cegos e muletas

Quando era criança não percebia a razão das guerras entre os homens: a sua semelhança era, para mim, tão evidente que seria motivo mais do que suficiente para a total concórdia (entre eles). (Mas os homens não são todos iguais? Não se compreendem?)


Achava, aliás, que, a haver guerras, deveria ser entre homens e mulheres!: seres completamente diferentes e, naturalmente, óptimos candidatos a aguerridos opositores. Tinha no meu irmão a prova cabal da minha teoria! (Definitivamente falam uma língua diferente até na mesma casa!)


Hoje, sou completamente contra qualquer tipo de guerra seja por que motivo for. Acredito que, mesmo na diferença, se pode dialogar, compreender e aceitar por forma a entrar numa relação perfeitamente concertada e saudável. Haja vontade, desapego, maturidade e inteligência emocional.


Acredito que, apesar de tudo, homens e mulheres são iguais: na humanidade, na fragilidade, na vulnerabilidade. Porque, mesmo nesta actualidade prática, rápida e carregada de bens, temos uma necessidade básica de nos relacionarmos e conectarmos uns com os outros. E é esta discrepância, este desalinhamento entre Ter e Sentir que tem levado a um crescimento assustador da quebra de vínculos afetivos. Andamos mudos a gritar para surdos e cegos à procura de muletas. 


Vamos lá respirar fundo, fechar os olhos e serenar os ânimos que o tempo é impiedoso com estas nossas distrações e a vida não espera por nós.


quarta-feira, 4 de maio de 2022

Sobre a riqueza

 "Não somos ricos pelo que temos, e sim pelo que não precisamos ter."

Immanuel Kant


Nada como estar a ajudar numa reflexão de Kant para me deparar com esta citação e rever outras tantas. E entre pensamentos, eis que me fiquei com esta.


Talvez porque não me revejo nesse conceito tão vago e subjetivo como esse de Ser Rico. 

Talvez porque conheço ricos que se sentem miseráveis. (Uns sempre insatisfeitos. Outros desconfiados.)

Talvez porque conheço pobres que se sentem ricos. (Uns porque valorizam a saúde que têm. Outros pelos laços que vão criando.)

Talvez porque considero o Ser Rico como sendo um estado emocional de alguém resolvido com a vida que tem, com os objetivos que pretende concretizar. Alguém que aceita as coisas como elas são: não com resignação, mas com sentido de missão.

Talvez porque Ser Rico, talvez!, nada tem a ver com Ter, mas com Sentir. Sentir a leveza de quem simplesmente É. De quem sabe quem É. Para quem o desapego é um Estar na vida em forma de Ser mais Humano. Mais empático. 

Sem dúvida que me identifico com esta citação de Kant.

Eu Sou Rica não pelo que tenho, mas por tudo o que já ultrapassei, o que já conquistei e o que vivi.

Sou Rica pelos sonhos que ainda tenho; pelos filhos que vejo crescer.

Sou Rica pela gratidão que sinto por quem me rodeia e pelas lições que vou tendo.


Resumindo:

sou aquela Rica que passa os dias a fazer contas à vida e ginástica às moedas, mas: assim mesmo: está tudo bem!: haja saúde e muita paz de espírito!


domingo, 24 de abril de 2022

O mistério da vida

Esta época, em que fomos obrigados a andar de máscara, trouxe uma espécie de mistério mesclado com dedução sobre como seria o outro. Passamos a olhar para os olhos com outra atenção e a comunicação tornou-se, tantas vezes!, num autêntico enigma.


Iniciei uma formação presencial recentemente com pessoas que nunca tinha visto antes. Estávamos sempre de máscara e só a tirávamos em determinadas circunstâncias. A visão que tínhamos uns dos outros estava condicionada pela dedução e pelo devido afastamento físico.


Este fim de semana tornou-se, assim, numa descoberta infantil de admiração e encantamento. Voltar a ver os rostos e as expressões, ouvir a voz nítida e perceber o todo do outro foi bastante enriquecedor.


Foi curioso ver como houve uma maior aproximação, maior empatia e mais interacção entre todos.


Foi curioso perceber como, de repente, nos observam e nos vêem e sorriem quando nós sorrimos. Tão bom!


Mais curioso ainda foi ouvir as observações que fizeram sobre a nova visão que tinham de mim. Num (ainda?!) misto de sem-jeito e vergonha, uma vez mais chego à conclusão que o que vejo em mim é diferente do que os outros vêem. Lá está a velha máxima: "para ver a ilha é preciso sair da ilha"; e acrescento: "mas para a conhecer é preciso explorá-la sem medo." 


Eis porque me encanto com o comportamento humano, as relações e a vida. 

Afinal, estamos cá para aprender.


quarta-feira, 23 de março de 2022

Por Ser livre e leve

Ao aceitar-se o passado serena-se o presente que não se repetirá jamais.
Nem o passado. 
Haverá sempre um qualquer detalhe, um qualquer retalho de tempo que será diferente.
Tal como o dia e a noite e a lua e o sol e a chuva e o vento e todas as coisas da natureza que ocorrem e morrem de forma única sem nunca questionarem a sua razão.
Porque o lamento é tornar eterno o que não tem retorno. É dar corpo à memória que se quer guardada para todo o sempre.
De que vale chorar infinitas vezes por aquilo que não se pode mudar? 
É a aceitar que se avança.
É a perdoar que se cresce.
E o presente, este presente que acorda a cada dia, quer-se livre e leve para poder viver em paz e em consciência.
Sem raiva do que foi.
Sem cobiça pelo que podia ser.
Sem medo do que pode vir a acontecer.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

O sentido de escrever

Quantas vezes escrevo com vontade de me desapegar do que me faz não sair da roda!
Pensamentos absorvidos ao longo de momentos.
Reflexões sobre a razão das razões e das emoções.
Anseios sentidos por insistência de inquietudes e vivências e sensibilidades e tantas realidades.

Quantas vezes escrevo para escapulir deste mundo tão mundano e insano! Onde trabalhamos para ter qualidade de vida e a perdemos por trabalharmos numa escravidão camuflada de flores de pó. Onde a normalidade não me faz sentido por quanta tristeza e vazio vejo nos olhos de quem passa por mim na rua.

Quantas vezes escrevo para voltar à casa que, não sendo de tijolo e cimento, alberga o conforto que preciso, o sentido que me faz sentido e a tranquilidade de estar onde gosto de ser.

Quantas vezes escrevo apenas para me concentrar no que me guia e deixar-me levar ao encontro da alma de que sou feita.