Quando recordo a meninice sinto saudades da inocência dos dias e da imaginação em cada brincadeira.
Das estórias que criava, da magia que dava aos lugares mais comuns.
Da leveza que transbordava na minha fácil gargalhada. Da espontaneidade.
Sinto saudades de ver o tempo como infinito e os meus pais como eternos. De me sentir pequenina e com a responsabilidade de ser "a terceira".
De ver a minha irmã como "crescida" e o meu irmão como o compincha, por vezes, chato.
Dos jogos sem fronteiras e dos saltos em altura com a segurança de umas folhas de jornal velho.
Das corridas de caracóis ou de escaravelhos disputadas ao som de palavras de incentivo a cada corredor.
De jogar à bola no meio da rua e de andar de bicicleta numa estrada nova ainda sem alcatrão.
Sinto saudades desses tempos (e de outros que entretanto vieram) e a essas saudades irão ser acrescidas outras saudades que entretanto virão e que, sei, irão comigo para onde eu for.
Porque as saudades, afinal, são a memória do que reside no nosso coração.
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