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sábado, 27 de março de 2021

Um lugar sem espaço

Ter lugar ou ocupar espaço? 

Ocupar espaço é preencher vazios de cada vez que surgem e é estar a mais quando todos os vazios estão ocupados. É fazer falta por conveniência e ser conivente com isso. É não ter lugar num espaço demasiado exíguo para existir. É tirar o ar ao que precisa de respirar. É transbordar o que era suposto ser para alimentar. É doer o que não é dito por não haver espaço para tal. 
Ter lugar é estar lá, mesmo estando longe. É ter lugar cativo. Nunca preterido. É ter o seu lugar sem tirar o espaço a ninguém. É ser o lugar em alguém. Para alguém. É a certeza. É dádiva. Ter lugar é ser assunto. É sorriso. Brilho no olhar. É ter sonhos. É partilha. É perceber que os lugares não se ocupam, nem se confundem. Dão-se com a alma. Ter lugar não é semântica. É entrega.

sexta-feira, 19 de março de 2021

Memória no coração

Quando recordo a meninice sinto saudades da inocência dos dias e da imaginação em cada brincadeira. 
Das estórias que criava, da magia que dava aos lugares mais comuns. 
Da leveza que transbordava na minha fácil gargalhada. Da espontaneidade. 
Sinto saudades de ver o tempo como infinito e os meus pais como eternos. De me sentir pequenina e com a responsabilidade de ser "a terceira".
De ver a minha irmã como "crescida" e o meu irmão como o compincha, por vezes, chato.
Dos jogos sem fronteiras e dos saltos em altura com a segurança de umas folhas de jornal velho. 
Das corridas de caracóis ou de escaravelhos disputadas ao som de palavras de incentivo a cada corredor.
De jogar à bola no meio da rua e de andar de bicicleta numa estrada nova ainda sem alcatrão.
Sinto saudades desses tempos (e de outros que entretanto vieram) e a essas saudades irão ser acrescidas outras saudades que entretanto virão e que, sei, irão comigo para onde eu for.
Porque as saudades, afinal, são a memória do que reside no nosso coração.