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domingo, 8 de agosto de 2021

Há dias assim...

Um dia estás seguro de ti 
e nada te detém.
Segues em frente.
Segues o teu instinto.
Os teus sonhos. E vais.
Vais ao encontro do que queres
e não queres saber o que dizem,
nem o que acham.
Porque as tuas certezas
são a coisa mais acertada
que alguma vez tiveste.
Ajeitas as asas
e levantas vôo
como quem sabe o destino
a que quer chegar.

Num outro dia, 
sem nada que o fizesse prever,
o nevoeiro chega
e a clareza de ontem desaparece.
As asas parecem pesadas.
O vento surge contra vôo.
Não sabes onde ficou o instinto
e a certeza fugiu com o tempo.
Decides fazer uma pausa,
para te situar e reencontrar,
mas aí vem o frio
e o teu corpo estremece.
Tudo parece pesado.
O ar está escasso. 
"Que é feito de mim?"

Há dias assim.
Dias que podem ser anos.
Dias de horas.
Dias sem tempo.
Dias de um sol intenso
que nos fazem arder por dentro.
Dias que nos fazem chorar
porque são as lágrimas 
a liberdade e a vontade
a chegarem devagarinho 
ao pé de nós a sussurrar: 
"amanhã é outro dia".

sábado, 19 de junho de 2021

Aceita-te!

Não tenhas pressa em mostrar o que tens, nem o que fazes. Se tens casa na praia ou carro na garagem. Se és engenheiro ou até enfermeiro. Se és um lutador ou um bom gestor.

Não procures a aprovação de ocasião porque o que para ti tem muito valor para os outros é completamente indolor.

Não te preocupes tanto em dizer que fazes e aconteces e que contigo tudo seria diferente só porque te achas valente e todos os outros uns energúmenos incapazes.

Não procures a aceitação alheia nos teus feitos e efeitos porque o que para ti é vitória para os outros é simples estória. 

Sê apenas quem és e serás rodeado por quem realmente, genuinamente, gosta de ti.
Aceita-te!


segunda-feira, 31 de maio de 2021

Assim sou

Meiga quando a empatia é maior do que qualquer medo.
Atrevida quando invadida pela vontade de atiçar reacções.
Nostálgica quando as memórias se tornam impossíveis de disfarçar.
Utópica quando apetece sair da linha do tem de ser.
Extrovertida quando o contexto está alinhado com o sentir.
Leve quando sinto que a vida vale muito a pena.
Atenta quando os olhos vêem mais do que, por vezes, gostaria.
Sou toda eu cheia de alternâncias e adaptações num mundo carregado de inconstâncias. 
Porquê?
Não sei. 
Sei que gosto mais de mim do que alguma vez gostei.
Não porque ache que tenha atingido a perfeição, mas apenas a aceitação do Ser em que me tornei.
Assim é a vida.
Assim sou eu.

sábado, 27 de março de 2021

Um lugar sem espaço

Ter lugar ou ocupar espaço? 

Ocupar espaço é preencher vazios de cada vez que surgem e é estar a mais quando todos os vazios estão ocupados. É fazer falta por conveniência e ser conivente com isso. É não ter lugar num espaço demasiado exíguo para existir. É tirar o ar ao que precisa de respirar. É transbordar o que era suposto ser para alimentar. É doer o que não é dito por não haver espaço para tal. 
Ter lugar é estar lá, mesmo estando longe. É ter lugar cativo. Nunca preterido. É ter o seu lugar sem tirar o espaço a ninguém. É ser o lugar em alguém. Para alguém. É a certeza. É dádiva. Ter lugar é ser assunto. É sorriso. Brilho no olhar. É ter sonhos. É partilha. É perceber que os lugares não se ocupam, nem se confundem. Dão-se com a alma. Ter lugar não é semântica. É entrega.

sexta-feira, 19 de março de 2021

Memória no coração

Quando recordo a meninice sinto saudades da inocência dos dias e da imaginação em cada brincadeira. 
Das estórias que criava, da magia que dava aos lugares mais comuns. 
Da leveza que transbordava na minha fácil gargalhada. Da espontaneidade. 
Sinto saudades de ver o tempo como infinito e os meus pais como eternos. De me sentir pequenina e com a responsabilidade de ser "a terceira".
De ver a minha irmã como "crescida" e o meu irmão como o compincha, por vezes, chato.
Dos jogos sem fronteiras e dos saltos em altura com a segurança de umas folhas de jornal velho. 
Das corridas de caracóis ou de escaravelhos disputadas ao som de palavras de incentivo a cada corredor.
De jogar à bola no meio da rua e de andar de bicicleta numa estrada nova ainda sem alcatrão.
Sinto saudades desses tempos (e de outros que entretanto vieram) e a essas saudades irão ser acrescidas outras saudades que entretanto virão e que, sei, irão comigo para onde eu for.
Porque as saudades, afinal, são a memória do que reside no nosso coração.