Até que chegue o dia,
caminho à luz do que sinto
ser o melhor para mim.
Levo comigo apenas
as vidas que vivi
desde que nasci
e com elas aprendi
que tudo acontece
com um propósito
a propósito não sei de quê.
Sou fruto de uma árvore
com mil raízes presas
a dores que nem minhas são.
E o mar lá longe espera
que lhe conte os nós
para o vento os levar
onde a primavera cresce
o sonho e a vida.
Levo comigo apenas
as memórias que guardo
até que chegue o dia
em que a terra será
o meu reduto final.
Um blogue onde publico textos de minha autoria sobre o que sinto, vejo e prevejo. Poemas, reflexões, algum humor e muito gosto pela escrita e pelo poder das palavras.
terça-feira, 5 de dezembro de 2017
quarta-feira, 5 de julho de 2017
Do tormento
Não esperem nada de mim.
Sou a desculpa que tarda
e não a vontade que avança.
Sou o medo que sufoca
e não a vida que acerta.
Sou colina.
Sou deserto.
Sou nómada de alma nos pés
e coração no chão.
Sou quem não revejo
mas vejo que nada sou
para além deste corpo
que um dia deixará de ser.
E se, entre amores que partem
e dores que vão ficando,
o dia ainda amanhecer,
é porque o meu tormento
tarda em partir.
Não esperem por mim.
Estou perdido no tempo
num tempo sem fim.
Sou a desculpa que tarda
e não a vontade que avança.
Sou o medo que sufoca
e não a vida que acerta.
Sou colina.
Sou deserto.
Sou nómada de alma nos pés
e coração no chão.
Sou quem não revejo
mas vejo que nada sou
para além deste corpo
que um dia deixará de ser.
E se, entre amores que partem
e dores que vão ficando,
o dia ainda amanhecer,
é porque o meu tormento
tarda em partir.
Não esperem por mim.
Estou perdido no tempo
num tempo sem fim.
sexta-feira, 23 de junho de 2017
Ser dúvida
Ser mulher
quando me sinto menina.
Ser muito mãe
quando sou tão filha.
Ser uma boa amiga
para quem precisa.
Ser família
todos os dias.
Ser presente
quando estou a olhar a lua.
Ser quem sou só para mim:
se nem eu me compreendo,
para quem me rodeia
sou uma estranha dúvida.
Eis porque guardo nos meus silêncios
a leve esperança de que a memória
me suspire ao ouvido
o sonho que tens para mim:
sem sopa de letras, nem palavras cruzadas.
Não é fácil ser eu.
Umas vezes certeza.
Outras nem por isso.

quinta-feira, 4 de maio de 2017
A meias com a relação
As meias, no
meio da sua não vida, existem na vida de qualquer pessoa. E a forma como
lidamos com elas, as meias, pode ser uma analogia às relações. Umas coloridas.
Outras formais. Outras ainda ao estilo romântico (com laços e folhos e todo o
tipo de ornamento desnecessário para o fim a que se destina, mas que apela ao [mau]
gosto de cada um). Umas lavadinhas. Outras nem por isso. Enfim, são muitas as
meias, de preferência aos pares, que calçamos ao longo da vida.
A ordem, ou falta dela, com que as arrumamos na gaveta ou as estendemos no estendal não é senão um sinal de insegurança por não sabermos lidar com a incerteza. Como se umas meias descasadas fossem sinónimo de caos na existência. De este-mundo-está-perdido. De ai-o-que-é-que-eu-faço-agora- com-isto.
Muito simples. Num imprevisto como este (que de imprevisto nada tem porque as meias, já sabemos, ganham vida na máquina de lavar), há que contornar o estipulado, o eticamente correcto e criar uma nova tendência: meia esquerda preta lisa, meia direita azul às bolinhas amarelas. Há que apelar à originalidade e ao não preconceito. Qual seria o mal disto? Afinal, os pés, tal como as mãos, os dedos e os irmãos gémeos, são diferentes. Não fará mais sentido cada pé calçar a meia que lhe aprouver?
Outro problema inerente às meias é a forma como nascem do chão como erva daninha. É impressionante. Segundo as estatísticas, tal facto inusitado acontece em 99,99999% das vezes em casa de jovens e homens solteiros. Haverá alguma relação hormonal entre as meias? Ou será mera promiscuidade? Será, eventualmente, um caso a estudar…
O que é certo é que com meias descasadas ou esburacadas, os pés continuam a andar. Podem estar cheios de calos, com unhas encravadas e micoses manhosas, mas não são as meias que ditam o fim da caminhada. No final das contas, as meias servem para nos servir e confortar, não para nos tirar o sono a cada mistério por resolver…
A ordem, ou falta dela, com que as arrumamos na gaveta ou as estendemos no estendal não é senão um sinal de insegurança por não sabermos lidar com a incerteza. Como se umas meias descasadas fossem sinónimo de caos na existência. De este-mundo-está-perdido. De ai-o-que-é-que-eu-faço-agora-
Muito simples. Num imprevisto como este (que de imprevisto nada tem porque as meias, já sabemos, ganham vida na máquina de lavar), há que contornar o estipulado, o eticamente correcto e criar uma nova tendência: meia esquerda preta lisa, meia direita azul às bolinhas amarelas. Há que apelar à originalidade e ao não preconceito. Qual seria o mal disto? Afinal, os pés, tal como as mãos, os dedos e os irmãos gémeos, são diferentes. Não fará mais sentido cada pé calçar a meia que lhe aprouver?
Outro problema inerente às meias é a forma como nascem do chão como erva daninha. É impressionante. Segundo as estatísticas, tal facto inusitado acontece em 99,99999% das vezes em casa de jovens e homens solteiros. Haverá alguma relação hormonal entre as meias? Ou será mera promiscuidade? Será, eventualmente, um caso a estudar…
O que é certo é que com meias descasadas ou esburacadas, os pés continuam a andar. Podem estar cheios de calos, com unhas encravadas e micoses manhosas, mas não são as meias que ditam o fim da caminhada. No final das contas, as meias servem para nos servir e confortar, não para nos tirar o sono a cada mistério por resolver…
terça-feira, 7 de fevereiro de 2017
Bolha de Sabão
Cúmplices
de uma força
maior que qualquer alguém
alguma vez sequer pensou imaginar:
o teu olhar no meu suspirar
maior que qualquer alguém
alguma vez sequer pensou imaginar:
o teu olhar no meu suspirar
em
ti e por ti
quero que me leves
para lá desta bolha de sabão.
Porque afinal é de ilusão
que somos feitos
para não morrermos
sem corrermos
atrás de amores que nos fazem
quero que me leves
para lá desta bolha de sabão.
Porque afinal é de ilusão
que somos feitos
para não morrermos
sem corrermos
atrás de amores que nos fazem
tão
bem assim.
Acredito neste sentimento certo
que a incerteza não me conhece.
Sei aquilo que já vivi.
O que me fez tanto chorar.
Desacreditar
que a felicidade pode estar
Acredito neste sentimento certo
que a incerteza não me conhece.
Sei aquilo que já vivi.
O que me fez tanto chorar.
Desacreditar
que a felicidade pode estar
no
brilho de um sorriso
meio
envergonhado.
Cada gesto teu me arrepia
sonhos antigos e me acenam
as voltas que a vida dá.
E só posso sorrir-lhe
com a ironia de quem percebe a mensagem
Cada gesto teu me arrepia
sonhos antigos e me acenam
as voltas que a vida dá.
E só posso sorrir-lhe
com a ironia de quem percebe a mensagem
por
detrás de cada virar de esquina
e aguardar com a
paciência de camponês a colheita que tarda em chegar.
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