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terça-feira, 11 de março de 2025

Sobre Tudo Ser

Aprendi a gostar de ler desde muito nova. Na juventude, devorava histórias cheias de enredos e personagens e cenários. Ficava encantada com a minúcia da escrita e cada livro deixava em mim um sentimento diferente. Uns aqueciam-me a alma, enquanto outros faziam-me chorar copiosamente.

Os anos foram passando. Os interesses mudando. Estive uns tempos afastada da leitura por força da inconsciência e do adormecimento. Mas quis voar. E Voei. E rasei o que sabia dos livros de encantar numa inércia tosca e um tanto tola. Mas o tempo, mestre, foi-me abrindo o nevoeiro devagarinho como quem mostra quem manda. E aterrei.

Vejo agora esta minha paixão com olhos de quem vê ao longe o que o perto embacia. Por isso, leio apenas o que me faz sentido e o que a minha intuição me diz.

Assim, de repente, veio-me uma constatação (quase filosófica):
eu sou aquilo que leio.

quinta-feira, 17 de outubro de 2024

Cor, calor, sabor e amor

 Já fui ingénua. Fui feliz.

Já me senti enganada. Relegada.

Já tive sonhos. Ilusões.

Já me perdi. Encontrei-me.

Já chorei pequena. Revirei-me.

Já duvidei de muito. Agora nada.


Dou por mim a sorrir para a vida

como quem escuta um segredo oculto.

Porque sou ávida da vida

e dela bebo tudo o que é:

do que fui, serei sempre;

do que sou, sempre quis.


Porque saber o sabor da vida 

é saber que a vida 

tem o cheiro da primavera

e a pressa lenta do verão,

do outono caem as cores

que o inverno leva na mão.


E, assim, afasto o mal que vejo perto

para que os olhos vejam o tanto 

que vale a pena aqui tudo viver!




quinta-feira, 18 de julho de 2024

As palavras que o vento traz

 

As palavras não são como o vento.
As palavras invadem-nos furacão dentro,
trazendo-nos retalhos e detalhes do pensamento.
E ficam.
Ficam cravadas nas certezas absurdas do medo.
Deixam cicatrizes
que, por vezes, muitas vezes, demasiadas vezes!,
eternizam a dor a sangrar
as lágrimas que ficaram por derramar.


As palavras não são como o vento.
As palavras são sapiência.
São atenções no âmago do silêncio
nos confins das noites por dormir.
São afecto e carinho.
São desabafos e anseios.
São o regresso a casa depois da tempestade.
São os pés quentes à lareira
quando o inverno teima em ficar.

As palavras não são como o vento.
Porque as palavras ficam.
O vento não.

sábado, 15 de abril de 2023

Inquietude adentro

De quando em vez, sou assolada por uma inquietude que me faz querer mexer o (meu) mundo. Torná-lo mais doce. É que o açúcar teima em ficar depositado no fundo das profundezas:

a vida fica entre o amargo e o insípido:

e eu lá estou: 

a beberricar o que sobra da inércia.

Saber cada vez melhor a razão de mim é obra do tempo e dos despertares nas manhãs de primavera que subsistem e insistem comigo.

Porque o calor satura o que o vento anuncia: o sol tem os dias contados. 

Mexe. 

Mexe-te. 

O inverno não tarda nada entra vida adentro e o que é já nem a saudade terá memória.



domingo, 26 de março de 2023

A sabedoria tem nome de Mulher

 Gosto da versatilidade de Ser Mulher. 

Da capacidade de se transformar no que quer, 

de transformar o que quer, 

de dar vida à vida 

e cor ao tempo. 

Porque os dias correm, 

os sonhos vão ficando para trás à espera do depois.

Não há depois.

Depois é ilusão.

É falácia.

Agora, sim.

Existe.

Está presente.

É presente.

E tem forma de Mulher.

Mulher furacão.

Mulher calmaria.

Mulher sabedoria.


terça-feira, 7 de março de 2023

O meu Dia todos os dias

Nunca fui de comemorar o Dia da Mulher. Percebo a necessidade de haver um dia especial para enaltecer a Mulher na sua plenitude (desde o que já conquistou ao que ainda está longe de alcançar), mas, se há datas que não comemoro, essa é uma delas. E não comemoro porque me enalteço (ou faço por isso) todos os dias:

A cada acordar: ora com sono, ora com vontade de continuar a dormir. A cada TPM que me transporta do humor ao choro, do choro à irritabilidade, da irritabilidade ao chocolate, à velocidade-luz das hormonas.

Quando olho para as crias e vejo vida a crescer fora de mim.

Quando olho para o espelho e vejo vida a transbordar pele e cabelo fora.

Sempre que espevito a minha inteligência racional e emocional.

Sempre que dou o meu melhor ou faço o que me apetece.


Nunca fui de comemorar o Dia da Mulher e este ano não é excepção. Mas, em honra de todas as Mulheres do mundo e da incompreensão a que estão sujeitas diariamente, vou comer um bolo de chocolate como sobremesa acompanhado com chá de cavalinha (que a dieta assim o obriga e o meu corpo agradece).

domingo, 26 de fevereiro de 2023

Orgulho e amor-próprio

Não confundas o ser orgulhoso com o ter orgulho. 

Ser orgulhoso é ego. 

Ter orgulho é amor-próprio.

De cada vez que percebo que é o ego que me está a sussurrar ao ouvido, recuo na atitude e mudo o meu comportamento. Mas quando vejo que é o amor-próprio, aí, mantenho a minha cabeça erguida e sigo em frente.

Como é que sei se é um ou outro? Não sei. Não penso muito sobre o assunto. Apenas sei que sei. 

Talvez intuição. 

Talvez uma qualquer certeza que surja da maturidade que o tempo traz: a auto-consciência do Ser que sou e da fibra de que sou feita.