Aprendi a gostar de ler desde muito nova. Na juventude, devorava histórias cheias de enredos e personagens e cenários. Ficava encantada com a minúcia da escrita e cada livro deixava em mim um sentimento diferente. Uns aqueciam-me a alma, enquanto outros faziam-me chorar copiosamente.
Os anos foram passando. Os interesses mudando. Estive uns tempos afastada da leitura por força da inconsciência e do adormecimento. Mas quis voar. E Voei. E rasei o que sabia dos livros de encantar numa inércia tosca e um tanto tola. Mas o tempo, mestre, foi-me abrindo o nevoeiro devagarinho como quem mostra quem manda. E aterrei.
Vejo agora esta minha paixão com olhos de quem vê ao longe o que o perto embacia. Por isso, leio apenas o que me faz sentido e o que a minha intuição me diz.
Assim, de repente, veio-me uma constatação (quase filosófica):
eu sou aquilo que leio.
