As palavras não são
como o vento.
As palavras invadem-nos furacão dentro,
trazendo-nos retalhos e detalhes do pensamento.
E
ficam.
Ficam cravadas nas certezas absurdas do medo.
Deixam
cicatrizes
que, por vezes, muitas vezes, demasiadas
vezes!,
eternizam a dor a sangrar
as lágrimas que ficaram
por derramar.
As palavras
não são como o vento.
As palavras são sapiência.
São
atenções no âmago do silêncio
nos confins das noites por
dormir.
São afecto e carinho.
São desabafos e anseios.
São o regresso a casa depois da tempestade.
São os pés
quentes à lareira
quando o inverno teima em ficar.
As
palavras não são como o vento.
Porque as palavras ficam.
O
vento não.