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sábado, 15 de abril de 2023

Inquietude adentro

De quando em vez, sou assolada por uma inquietude que me faz querer mexer o (meu) mundo. Torná-lo mais doce. É que o açúcar teima em ficar depositado no fundo das profundezas:

a vida fica entre o amargo e o insípido:

e eu lá estou: 

a beberricar o que sobra da inércia.

Saber cada vez melhor a razão de mim é obra do tempo e dos despertares nas manhãs de primavera que subsistem e insistem comigo.

Porque o calor satura o que o vento anuncia: o sol tem os dias contados. 

Mexe. 

Mexe-te. 

O inverno não tarda nada entra vida adentro e o que é já nem a saudade terá memória.



domingo, 26 de março de 2023

A sabedoria tem nome de Mulher

 Gosto da versatilidade de Ser Mulher. 

Da capacidade de se transformar no que quer, 

de transformar o que quer, 

de dar vida à vida 

e cor ao tempo. 

Porque os dias correm, 

os sonhos vão ficando para trás à espera do depois.

Não há depois.

Depois é ilusão.

É falácia.

Agora, sim.

Existe.

Está presente.

É presente.

E tem forma de Mulher.

Mulher furacão.

Mulher calmaria.

Mulher sabedoria.


terça-feira, 7 de março de 2023

O meu Dia todos os dias

Nunca fui de comemorar o Dia da Mulher. Percebo a necessidade de haver um dia especial para enaltecer a Mulher na sua plenitude (desde o que já conquistou ao que ainda está longe de alcançar), mas, se há datas que não comemoro, essa é uma delas. E não comemoro porque me enalteço (ou faço por isso) todos os dias:

A cada acordar: ora com sono, ora com vontade de continuar a dormir. A cada TPM que me transporta do humor ao choro, do choro à irritabilidade, da irritabilidade ao chocolate, à velocidade-luz das hormonas.

Quando olho para as crias e vejo vida a crescer fora de mim.

Quando olho para o espelho e vejo vida a transbordar pele e cabelo fora.

Sempre que espevito a minha inteligência racional e emocional.

Sempre que dou o meu melhor ou faço o que me apetece.


Nunca fui de comemorar o Dia da Mulher e este ano não é excepção. Mas, em honra de todas as Mulheres do mundo e da incompreensão a que estão sujeitas diariamente, vou comer um bolo de chocolate como sobremesa acompanhado com chá de cavalinha (que a dieta assim o obriga e o meu corpo agradece).

domingo, 26 de fevereiro de 2023

Orgulho e amor-próprio

Não confundas o ser orgulhoso com o ter orgulho. 

Ser orgulhoso é ego. 

Ter orgulho é amor-próprio.

De cada vez que percebo que é o ego que me está a sussurrar ao ouvido, recuo na atitude e mudo o meu comportamento. Mas quando vejo que é o amor-próprio, aí, mantenho a minha cabeça erguida e sigo em frente.

Como é que sei se é um ou outro? Não sei. Não penso muito sobre o assunto. Apenas sei que sei. 

Talvez intuição. 

Talvez uma qualquer certeza que surja da maturidade que o tempo traz: a auto-consciência do Ser que sou e da fibra de que sou feita.

sábado, 25 de fevereiro de 2023

Voltar atrás

Se fosse possível recuar no tempo,
haveria tanta coisa a fazer diferente.
Mas não sendo tal possível,
talvez aceitar o que foi
seja a forma de avançar
e aprender com isso.
Porque é disso que se trata a vida:
lidar de peito aberto o passado
para abraçar o dia que se segue.
Porque de nada vale o meu arrependimento,
se tudo o que fiz foi o melhor que sabia.

Se fosse possível recuar no tempo,
certamente não seria quem sou hoje.
Mas muito provavelmente voltaria a fazer tudo,
tal como fiz quando nada sabia,
para voltar a ser a mulher que sou.