Esta época, em que fomos obrigados a andar de máscara, trouxe uma espécie de mistério mesclado com dedução sobre como seria o outro. Passamos a olhar para os olhos com outra atenção e a comunicação tornou-se, tantas vezes!, num autêntico enigma.
Iniciei uma formação presencial recentemente com pessoas que nunca tinha visto antes. Estávamos sempre de máscara e só a tirávamos em determinadas circunstâncias. A visão que tínhamos uns dos outros estava condicionada pela dedução e pelo devido afastamento físico.
Este fim de semana tornou-se, assim, numa descoberta infantil de admiração e encantamento. Voltar a ver os rostos e as expressões, ouvir a voz nítida e perceber o todo do outro foi bastante enriquecedor.
Foi curioso ver como houve uma maior aproximação, maior empatia e mais interacção entre todos.
Foi curioso perceber como, de repente, nos observam e nos vêem e sorriem quando nós sorrimos. Tão bom!
Mais curioso ainda foi ouvir as observações que fizeram sobre a nova visão que tinham de mim. Num (ainda?!) misto de sem-jeito e vergonha, uma vez mais chego à conclusão que o que vejo em mim é diferente do que os outros vêem. Lá está a velha máxima: "para ver a ilha é preciso sair da ilha"; e acrescento: "mas para a conhecer é preciso explorá-la sem medo."
Eis porque me encanto com o comportamento humano, as relações e a vida.
Afinal, estamos cá para aprender.