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domingo, 29 de maio de 2016

Será...?



Quero tudo sem tempo.
Sonhos. Utopias
de uma alma pesada nos ombros
de amanhã que nunca mais chega.
Desconheço o fardo desfado
desta infância de um Verão tardio.
Tanta luz de forte sombra ofusca
o brilho do espelho meio escondido.
Alma gémea minha
alento dos meus dias ao relento
retoca-me as dores vindas
por dentro do sol nascente.
Razão que a incerteza me leva
a crer para seguir por onde
as minhas infindezas me querem
com todo o tempo que me resta.


domingo, 15 de maio de 2016

Cidade sem gente



Deserta arrasta-se a cidade
cheia de gente ávida por escutar
estórias que nem a história
de tal tem boa memória.
Os dias vagueiam desalegres
por saberem que um vislumbre
é mera ilusão com corpo
e voz de aperto saudade.
Saudade de quem foi o que foi
e se foi porque tinha de ser.
Saudade de quem vem
a ser por inteiro a metade de outro todo.
Saudade do que virá.
Do como será.
Saudade do voltar a ver.
Do voltar a abraçar.
A tão bom respirar.
Saudade do que ficou por dizer.
Do que ficou por olhar.
Por apenas dar.
Calada anda a cidade parada
no tempo que partiu
sem data marcada para regressar:
alma de malas feitas para quando
o momento chegar e dizer:
É a tua vez.


terça-feira, 10 de maio de 2016

Sem pena



Do fundo mais profundo
de um vazio sem fim:
o ar escassa
no porquê de tudo isto.
Cabisbaixo anda o olhar
sem brilho, nem cor,
à procura de respostas
para tanto nada de repente.
Áridos olhos
já nem lágrimas prometem.
Apenas uma vaga tristeza
de que podias ser tu, afinal.
Mas olhando de cabeça atenta,
sei que a mim me tenho para sempre
e de mim dependo para ser feliz.
Seria de pouca inteligência minha
se me deixasse dessecar
até ao que ainda apenas me sustém.
As janelas foram criadas
para arejar a vida
e as portas para fechar
detalhes só nossos:
adorno-me de uma capa permeável
ao amargo de uma despedida sem voz
e, assim mesmo, deixo que
as incertezas e estranhezas
partam ao encontro do que não há pena em chorar.