Site Optimizado para Firefox ou Chrome

O Pensamentos Avulsos em Tempos de Ócio apresenta problemas com o Internet Explorer. Em alternativa, queira, por favor, utilizar outro browser como o Firefox ou o Chrome. Obrigada.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Mãe de colo



Fossem outra vez bebés
e dar-vos-ia todo o colo
que não fui capaz de dar.
Agora, olhando assim para trás,
vejo que talvez nem soubesse
o sabor desse aconchego.
Ser mãe de colo e mimo
sem ter sido filha de um abraço 
é tarefa de dor e ferida por fechar.
Ser mãe do futuro,
quando o passado pesa no corpo,
carrega fantasmas e monstros
das estórias por encantar.
Quando vos olho com olhos de mãe,
vejo os meus sonhos de criança
apressados vida adentro
sem pedir licença para voar.
Estranho Amor de mãe, este,
que amo até às entranhas
mais profundas do meu ser
mulher ainda por criar.


segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Diante dos teus olhos



Nos teus olhos eu vejo
a vida toda por desvendar:
a tristeza com corpo de água;
a felicidade com brilho de alma
e todas as sensações
e todos os sentimentos
que as palavras não dizem
com medo de apenas Ser.


Diante de ti eu sinto
que, afinal, tudo vale a pena.
Mesmo este mal endurecido.
As mágoas ressequidas.
As feridas por fechar.
Porque o que os teus olhos me dizem
é tão mais forte do que qualquer devaneio meu
e me serenam até onde não me conheço.


Nos teus olhos eu vejo 
a saudade que guardo
neste nosso abraço ansioso
por fazer de cada instante
uma recordação de para sempre.

Diante de ti eu quero
desenvelhecer as dores profundas
e recordar toda uma vida por viver
nesses teus olhos famintos
de sôfrego ar e sonhos sem fim. 


terça-feira, 6 de setembro de 2016

Aquele adeus



Se um dia te lembrares de mim:
de quem para ti eu fui,
de como por ti eu sou,
podes procurar-me por onde
a distância nos levou.
Podes ver se me encontras
sozinha nos meus pensamentos
ou a conversar sobre distracções.
Podes esperar por mim
como quem insiste em nunca desistir
num faz de conta sem fadas,
nem duendes;
sem palácios,
nem madrastas.
Um encanto de duas almas
encantadas com a ilusão
que a desvontade fez por levar.
(Há hesitações que são a prova
de que não tem de acontecer
o que simplesmente não se quer.)
Se um dia te lembrares de mim:
faz o favor de ser o que ficou por dizer
naquele adeus sem despedida.



quarta-feira, 17 de agosto de 2016

À luz de um sonho



Hoje quero adormecer
nos sonhos dos teus braços
e pedir ao tempo uma pausa
do tamanho do céu.
Há momentos tão vida
que deveriam ser sempre
e este por dentro do teu abraço
é tudo de ser feliz.
Ando cansada
e tu, todo cheio de pele,
podes nem sempre saber,
mas fazes por perceber:
as pedras só ferem
se a distracção for maior do que o cuidado,
ou a teimosia mais teimosa que a razão.
E se já tropecei nas tropelias da minha existência
é porque és a pele que as pedras me arranharam
e arrancaram até ti.
Hoje quero adormecer à luz de um sonho
para acordar com o meu sorriso no rosto teu.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Sobre a vida de um dia



E se por um dia mudássemos para o outro lado do espelho e fôssemos capazes de ser o inverso de um olhar?
Se em vez de ficarmos desiludidos com a ilusão que criámos ficássemos gratos por sermos ainda a criança de outrora?
Se em vez da culpa criada pelo medo do desconhecido admitíssemos o simples erro da nossa humanidade?

E se por um dia saíssemos de dentro de nós e fôssemos a luz do nosso próprio corpo?
Se deixássemos a sombra para as árvores nos refrescarem nos dias de calor e a escuridão para as noites sem lua cheia?
Se fôssemos o impulso emotivo, desmedido e esquecêssemos as amarras das aparências sem sentido?

E se por um dia conseguíssemos:
sentir mais do que perceber,
ver mais do que desejar,
ser mais alma do que corpo?

Será que esse dia tornar-se-ia na vida para sempre?