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terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Bolha de Sabão



Cúmplices de uma força
maior que qualquer alguém
alguma vez sequer pensou imaginar:
o teu olhar no meu suspirar
em ti e por ti
quero que me leves
para lá desta bolha de sabão.
Porque afinal é de ilusão
que somos feitos
para não morrermos
sem corrermos
atrás de amores que nos fazem
tão bem assim.
Acredito neste sentimento certo
que a incerteza não me conhece.
Sei aquilo que já vivi.
O que me fez tanto chorar.
Desacreditar
que a felicidade pode estar
no brilho de um sorriso
meio envergonhado.
Cada gesto teu me arrepia
sonhos antigos e me acenam
as voltas que a vida dá.
E só posso sorrir-lhe
com a ironia de quem percebe a mensagem
por detrás de cada virar de esquina
e aguardar com a paciência de camponês
a colheita que tarda em chegar.




terça-feira, 15 de novembro de 2016

Mãe de colo



Fossem outra vez bebés
e dar-vos-ia todo o colo
que não fui capaz de dar.
Agora, olhando assim para trás,
vejo que talvez nem soubesse
o sabor desse aconchego.
Ser mãe de colo e mimo
sem ter sido filha de um abraço 
é tarefa de dor e ferida por fechar.
Ser mãe do futuro,
quando o passado pesa no corpo,
carrega fantasmas e monstros
das estórias por encantar.
Quando vos olho com olhos de mãe,
vejo os meus sonhos de criança
apressados vida adentro
sem pedir licença para voar.
Estranho Amor de mãe, este,
que amo até às entranhas
mais profundas do meu ser
mulher ainda por criar.


segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Diante dos teus olhos



Nos teus olhos eu vejo
a vida toda por desvendar:
a tristeza com corpo de água;
a felicidade com brilho de alma
e todas as sensações
e todos os sentimentos
que as palavras não dizem
com medo de apenas Ser.


Diante de ti eu sinto
que, afinal, tudo vale a pena.
Mesmo este mal endurecido.
As mágoas ressequidas.
As feridas por fechar.
Porque o que os teus olhos me dizem
é tão mais forte do que qualquer devaneio meu
e me serenam até onde não me conheço.


Nos teus olhos eu vejo 
a saudade que guardo
neste nosso abraço ansioso
por fazer de cada instante
uma recordação de para sempre.

Diante de ti eu quero
desenvelhecer as dores profundas
e recordar toda uma vida por viver
nesses teus olhos famintos
de sôfrego ar e sonhos sem fim. 


terça-feira, 6 de setembro de 2016

Aquele adeus



Se um dia te lembrares de mim:
de quem para ti eu fui,
de como por ti eu sou,
podes procurar-me por onde
a distância nos levou.
Podes ver se me encontras
sozinha nos meus pensamentos
ou a conversar sobre distracções.
Podes esperar por mim
como quem insiste em nunca desistir
num faz de conta sem fadas,
nem duendes;
sem palácios,
nem madrastas.
Um encanto de duas almas
encantadas com a ilusão
que a desvontade fez por levar.
(Há hesitações que são a prova
de que não tem de acontecer
o que simplesmente não se quer.)
Se um dia te lembrares de mim:
faz o favor de ser o que ficou por dizer
naquele adeus sem despedida.



quarta-feira, 17 de agosto de 2016

À luz de um sonho



Hoje quero adormecer
nos sonhos dos teus braços
e pedir ao tempo uma pausa
do tamanho do céu.
Há momentos tão vida
que deveriam ser sempre
e este por dentro do teu abraço
é tudo de ser feliz.
Ando cansada
e tu, todo cheio de pele,
podes nem sempre saber,
mas fazes por perceber:
as pedras só ferem
se a distracção for maior do que o cuidado,
ou a teimosia mais teimosa que a razão.
E se já tropecei nas tropelias da minha existência
é porque és a pele que as pedras me arranharam
e arrancaram até ti.
Hoje quero adormecer à luz de um sonho
para acordar com o meu sorriso no rosto teu.