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segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Diante dos teus olhos



Nos teus olhos eu vejo
a vida toda por desvendar:
a tristeza com corpo de água;
a felicidade com brilho de alma
e todas as sensações
e todos os sentimentos
que as palavras não dizem
com medo de apenas Ser.


Diante de ti eu sinto
que, afinal, tudo vale a pena.
Mesmo este mal endurecido.
As mágoas ressequidas.
As feridas por fechar.
Porque o que os teus olhos me dizem
é tão mais forte do que qualquer devaneio meu
e me serenam até onde não me conheço.


Nos teus olhos eu vejo 
a saudade que guardo
neste nosso abraço ansioso
por fazer de cada instante
uma recordação de para sempre.

Diante de ti eu quero
desenvelhecer as dores profundas
e recordar toda uma vida por viver
nesses teus olhos famintos
de sôfrego ar e sonhos sem fim. 


terça-feira, 6 de setembro de 2016

Aquele adeus



Se um dia te lembrares de mim:
de quem para ti eu fui,
de como por ti eu sou,
podes procurar-me por onde
a distância nos levou.
Podes ver se me encontras
sozinha nos meus pensamentos
ou a conversar sobre distracções.
Podes esperar por mim
como quem insiste em nunca desistir
num faz de conta sem fadas,
nem duendes;
sem palácios,
nem madrastas.
Um encanto de duas almas
encantadas com a ilusão
que a desvontade fez por levar.
(Há hesitações que são a prova
de que não tem de acontecer
o que simplesmente não se quer.)
Se um dia te lembrares de mim:
faz o favor de ser o que ficou por dizer
naquele adeus sem despedida.



quarta-feira, 17 de agosto de 2016

À luz de um sonho



Hoje quero adormecer
nos sonhos dos teus braços
e pedir ao tempo uma pausa
do tamanho do céu.
Há momentos tão vida
que deveriam ser sempre
e este por dentro do teu abraço
é tudo de ser feliz.
Ando cansada
e tu, todo cheio de pele,
podes nem sempre saber,
mas fazes por perceber:
as pedras só ferem
se a distracção for maior do que o cuidado,
ou a teimosia mais teimosa que a razão.
E se já tropecei nas tropelias da minha existência
é porque és a pele que as pedras me arranharam
e arrancaram até ti.
Hoje quero adormecer à luz de um sonho
para acordar com o meu sorriso no rosto teu.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Sobre a vida de um dia



E se por um dia mudássemos para o outro lado do espelho e fôssemos capazes de ser o inverso de um olhar?
Se em vez de ficarmos desiludidos com a ilusão que criámos ficássemos gratos por sermos ainda a criança de outrora?
Se em vez da culpa criada pelo medo do desconhecido admitíssemos o simples erro da nossa humanidade?

E se por um dia saíssemos de dentro de nós e fôssemos a luz do nosso próprio corpo?
Se deixássemos a sombra para as árvores nos refrescarem nos dias de calor e a escuridão para as noites sem lua cheia?
Se fôssemos o impulso emotivo, desmedido e esquecêssemos as amarras das aparências sem sentido?

E se por um dia conseguíssemos:
sentir mais do que perceber,
ver mais do que desejar,
ser mais alma do que corpo?

Será que esse dia tornar-se-ia na vida para sempre?


sexta-feira, 29 de julho de 2016

A chegada de um sonho



Espero o dia
que venhas sem eu pedir
porque te apetece estar comigo
simplesmente.
Sem medos.
Sem pudores desnecessários
quando o que se quer é
tão vivo, tão lindo
como o momento em que me sabendo
triste ou amargurada;
desiludida ou zangada
vens atrás de mim
para me abraçar
tudo o que ficou por chorar.
Espero o dia
que me roubes um beijo
porque te apetece entrar-me
pela alma dentro
sem pedir qualquer licença.
Sem orgulhos.
Sem hesitações difíceis
quando o que se quer é
tão simples, tão puro
como o momento em que me sabendo
sozinha e desamparada;
perdida e calada
vens do nada e com tudo
o que bem sabes tanto de mim.
Espero o dia
que o sonho seja o sonho de outros tempos
porque sei que o sonho não tarda em chegar...