E se por um
dia mudássemos para o outro lado do espelho e fôssemos capazes de ser o inverso
de um olhar?
Se em vez de
ficarmos desiludidos com a ilusão que criámos ficássemos gratos por sermos
ainda a criança de outrora?
Se em vez da
culpa criada pelo medo do desconhecido admitíssemos o simples erro da nossa
humanidade?
E se por um
dia saíssemos de dentro de nós e fôssemos a luz do nosso próprio corpo?
Se deixássemos
a sombra para as árvores nos refrescarem nos dias de calor e a escuridão para
as noites sem lua cheia?
Se fôssemos
o impulso emotivo, desmedido e esquecêssemos as amarras das aparências sem
sentido?
E se por um
dia conseguíssemos:
sentir mais
do que perceber,
ver mais do
que desejar,
ser mais
alma do que corpo?
Será que
esse dia tornar-se-ia na vida para sempre?




