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quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Talvez um delírio



Tenho tanto em mim
que há momentos em que desconheço
se sou eu cá dentro a divagar
se sou outro disfarçado de verdade.
Dúvidas que me surgem de tudo
o que tenho visto do avesso
e ao contrário de uma humanidade
que me parece já não existir.
Sinto a indefinição dos dias a correr
devagarinho contra as ilusões
dos poucos que ainda sonham
com um mundo prestes a ser melhor.
Mas do pouco que sei,
pelo simples desígnio de me terem posto
a deambular por estas ruas ásperas e frias,
julgo que o mal é um ângulo enviesado dos oprimidos
e o bem a utopia dos aspirantes a benfeitores.
Afinal, o que nos faz humanos
não é a alma, nem as emoções,
mas a capacidade ingrata de podermos falar:
uns para os outros,
os outros contra os ainda outros e, 
assim mesmo, 
sermos tão inaptos a falarmos:
uns com os outros
em plena sintonia e respeito por todos.
Mas isto sou eu.
Talvez a delirar.
Talvez a querer ser outro
que não seja este dentro de mim.


sábado, 19 de dezembro de 2015

Corpo na alma



Não estou onde o meu corpo jaz,
mas onde esta alma emprestada
tanto almeja abraçar mais
do que a eternidade para sempre:
o princípio de que o tempo
não tem ponteiros que apaguem
a cumplicidade do nosso silêncio.
Aqueles olhares tão só nossos
despem-nos o desejo envergonhado:
o dia que deveria ser de um ano
é um minuto nas bocas que suspiramos.
E a razão esquiva da compreensão
de todo o meu pensamento
olvida-se com o ar que me dás a existir
nesta força que te traz até mim.
Estou apenas onde quero estar:
de toque na alma:
de arrepio ao de leve.
E onde todos os sonhos chamam por mim.


domingo, 13 de dezembro de 2015

Mesmo assim



Vem.
Vem ter comigo.
Não te deixes embarcar nos medos
que te assombram os pensamentos
com coisas difíceis de perceber.
Não queiras tu saber
o que a vida te reserva
sem antes provares o sabor
de amar uma mulher
que muito te quer
por seres tão quem és.
Abre esses teus braços de gigante
e guarda todos os meus anseios
a galope no teu peito.
Conta-me o silêncio que choras.
Dá-me o colo dos teus segredos.
Não sei quem sou para ti,
mas sei o que posso ser por ti:
a cumplicidade de querer alguém
não apenas por simples querer,
mas por perder todo o meu ar
sempre que sinto o teu respirar.
Vem ter comigo
mesmo que os teus olhos
me vejam a desvanecer:
estás nos suspiros que me roubas,
no sorriso que me arrancas
quando a tua voz me entra
na minha alma e pele adentro.

  

domingo, 6 de dezembro de 2015

Do meu querer



Quero muito estar contigo.
Não importa o tempo, nem a razão.
Pode ser de manhã, ao acordar,
com um afago no cabelo desarrumado
ou com a vontade toda nas mãos.
Pode ser durante as horas devagar
com uma mensagem do nada
ou com um encontro sem saber.
Pode ser quando o sol se dá à lua
com um abraço de ar profundo
ou com tanto ainda por dizer.
Quero dar-te muito de mim
para ser tudo para ti.
Quero confiar-te o que não sabes
para me saberes melhor do que sei
e ser mulher sem medo algum.
Quero saber-te por inteiro
para poder ser tudo por ti.
Quero conhecer cada pedaço teu
passado sem promessas perdidas
para saborear o amargo de boca
que o doce também tem por dentro.
Quero muito estar contigo.
Só assim me sei feliz.


domingo, 29 de novembro de 2015

Podia ser a última carta



Não quero que passe mais um dia sem que saibas o que penso de ti.
Amanhã, se eu já cá não estiver, quero que saibas a razão dos meus silêncios e das minhas ausências e, no final, que me reconheças em cada palavra e em cada expressão aqui escritas. Quero, acima de tudo, que saibas que fui eu, sempre. Apenas eu. Umas vezes tranquila e assertiva; outras impulsiva e espontânea. Mas sempre eu.
Não sou uma mulher comum. Disso já te apercebeste há muito tempo. Quando me vias calada, no meu canto, apesar de não saberes o que me ia na mente, sempre soubeste que aquele momento tinha de ser meu. E sabias muito bem. Era o espaço que precisava para me expurgar. Mal ou bem, foste tentando perceber-me e aceitar-me tal e qual como sou: Mulher: Humana: Consciente: de Mim: Dos Outros.
Já tu, tu és um pássaro pensador. Livre no corpo e nas ideias que te correm nas veias. Não gostas que te amarrem ao que tem de ser, nem ao hábito de nada ser para além da triste banalidade. Vês-te frágil, mas tens uma força brutal a brotar em ti. A tua mente é-te gigante: andas às voltas com o que pensas entre o mal que vês e a dor que julgas não sentir, mas sentes. Dói-te a injustiça, a incompreensão, a inumanidade, a inconsciência. E a dor é tal que castigas o mundo que há em ti. Mas, meu amor, ficas agora a saber: não és o mundo. Não tens de carregar o mundo. Tens, isso sim, é de saborear o tremendo universo que és. Aceita isto que te escrevo de coração pausado. Se assim não fosses, serias apenas mais um. E tu não és um. És O. Que me provoca. Que me exercita. Que me dá vida. Que eu quero tanto e tão bem.
E, depois de tudo isto que acabei de escrever, só te peço uma coisa: Acredita. Em Mim, mas, acima de tudo, Em Ti.