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domingo, 13 de dezembro de 2015

Mesmo assim



Vem.
Vem ter comigo.
Não te deixes embarcar nos medos
que te assombram os pensamentos
com coisas difíceis de perceber.
Não queiras tu saber
o que a vida te reserva
sem antes provares o sabor
de amar uma mulher
que muito te quer
por seres tão quem és.
Abre esses teus braços de gigante
e guarda todos os meus anseios
a galope no teu peito.
Conta-me o silêncio que choras.
Dá-me o colo dos teus segredos.
Não sei quem sou para ti,
mas sei o que posso ser por ti:
a cumplicidade de querer alguém
não apenas por simples querer,
mas por perder todo o meu ar
sempre que sinto o teu respirar.
Vem ter comigo
mesmo que os teus olhos
me vejam a desvanecer:
estás nos suspiros que me roubas,
no sorriso que me arrancas
quando a tua voz me entra
na minha alma e pele adentro.

  

domingo, 6 de dezembro de 2015

Do meu querer



Quero muito estar contigo.
Não importa o tempo, nem a razão.
Pode ser de manhã, ao acordar,
com um afago no cabelo desarrumado
ou com a vontade toda nas mãos.
Pode ser durante as horas devagar
com uma mensagem do nada
ou com um encontro sem saber.
Pode ser quando o sol se dá à lua
com um abraço de ar profundo
ou com tanto ainda por dizer.
Quero dar-te muito de mim
para ser tudo para ti.
Quero confiar-te o que não sabes
para me saberes melhor do que sei
e ser mulher sem medo algum.
Quero saber-te por inteiro
para poder ser tudo por ti.
Quero conhecer cada pedaço teu
passado sem promessas perdidas
para saborear o amargo de boca
que o doce também tem por dentro.
Quero muito estar contigo.
Só assim me sei feliz.


domingo, 29 de novembro de 2015

Podia ser a última carta



Não quero que passe mais um dia sem que saibas o que penso de ti.
Amanhã, se eu já cá não estiver, quero que saibas a razão dos meus silêncios e das minhas ausências e, no final, que me reconheças em cada palavra e em cada expressão aqui escritas. Quero, acima de tudo, que saibas que fui eu, sempre. Apenas eu. Umas vezes tranquila e assertiva; outras impulsiva e espontânea. Mas sempre eu.
Não sou uma mulher comum. Disso já te apercebeste há muito tempo. Quando me vias calada, no meu canto, apesar de não saberes o que me ia na mente, sempre soubeste que aquele momento tinha de ser meu. E sabias muito bem. Era o espaço que precisava para me expurgar. Mal ou bem, foste tentando perceber-me e aceitar-me tal e qual como sou: Mulher: Humana: Consciente: de Mim: Dos Outros.
Já tu, tu és um pássaro pensador. Livre no corpo e nas ideias que te correm nas veias. Não gostas que te amarrem ao que tem de ser, nem ao hábito de nada ser para além da triste banalidade. Vês-te frágil, mas tens uma força brutal a brotar em ti. A tua mente é-te gigante: andas às voltas com o que pensas entre o mal que vês e a dor que julgas não sentir, mas sentes. Dói-te a injustiça, a incompreensão, a inumanidade, a inconsciência. E a dor é tal que castigas o mundo que há em ti. Mas, meu amor, ficas agora a saber: não és o mundo. Não tens de carregar o mundo. Tens, isso sim, é de saborear o tremendo universo que és. Aceita isto que te escrevo de coração pausado. Se assim não fosses, serias apenas mais um. E tu não és um. És O. Que me provoca. Que me exercita. Que me dá vida. Que eu quero tanto e tão bem.
E, depois de tudo isto que acabei de escrever, só te peço uma coisa: Acredita. Em Mim, mas, acima de tudo, Em Ti.



domingo, 15 de novembro de 2015

As minhas flores



Vou sair daqui para onde
não importa saber quem sou
sem levar nada que me pese
para além da bagagem de mim.
Talvez uma fotografia
de uma infância feliz.
Talvez os pensamentos
passados a papel.
Sei que não preciso de muito.
Apenas que o medo me deixe ir
e que o passado me abra as portas
para o mundo que quero descobrir.
Entre estes meus devaneios
de nascer de novo para a vida
ou deixar envelhecer os sonhos,
vejo as flores que semeei
a colorir o jardim outrora meu.
Com tanto por ver e aprender.
Com tanto por ser ainda mais.
E assim fico a pensar:
se as devo regar com as mãos
ou com a chuva que há-de vir.
Vou sair daqui não sei para onde:
onde estou é que sei que não.


segunda-feira, 9 de novembro de 2015

E assim começa o fim



Por que o homem acaba por ser sempre uma tremenda desilusão?

Porque não sabe que o coração da mulher está no cérebro e os olhos na atenção;
Porque é como a criança com brinquedo novo: brinca: cansa-se: deixa-o de lado;
Porque julga que se a conquista uma primeira vez fica cativada para sempre;
Porque dá mais importância ao pão na mesa do que a mão dentro da mão;
Porque tem uma visão demasiado global e não vê a beleza do detalhe;
Porque deixa tanto por dizer por achar que não vale a pena;
Porque não acompanha quando deveria estar junto;
Porque não dá espaço quando se sente ameaçado;
Porque não dá carinho quando não há sexo;
Porque não abraça do simples nada;
Porque não a contempla;
Porque se distrai;
Porque desiste.
Porquê?