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quarta-feira, 28 de outubro de 2015

É de Mulher



Com a subtileza de quem quer, aproxima-se do que quer de passos baixinhos e vontade mansa. Sorri envergonhada quando se vê descoberta em tal marotice e, assim mesmo, desabafa as almas que carrega com aquele seu brilho: meio lágrima - meio felicidade.
Tem receio que a vejam despida da força que julgam sempre ter: engole a respiração forçada tanto quanto o coração lhe salta para as mãos tremidas. Agarra-se ao sonho da voz que a segura. Escuta a memória das conversas trocadas.
Fala quando falar ainda lhe resta para encarar os dias e vira as desilusões do avesso para que o sentido da vida continue diante de si.
Quer mais do que apenas sentir: quer ver com os olhos da alma o calor da gratidão de mão dada com o orgulho.
Quer que a olhem como ser feminino dotado de pormenores próprios de uma existência para lá de tudo o que é possível amar.
Afinal, o propósito da humanidade permanece no prazer que os afectos lhe dão e no desejo de saborear devagarinho cada momento sempre mais.




domingo, 25 de outubro de 2015

Quando o pensamento se vai...



Apenas porque sabe bem.
Não porque sim, pode ser.
Não porque acho, talvez.
Mas porque sabe tão realmente bem.
Por isso: quero-te:
olhos nos olhos dentro da minha alma:
sem nada falar dizer tanto.
Mas assim mesmo,
e apesar de já te saber cada vez melhor,
preciso de ouvir-te para sossegar
esta inquietude que me surge
nos medos muito meus.
Espero que perdoes
este defeito de mulher:
razões que me levam a razão
quando mais dela preciso.
Será que algum dia sentirei
essa certeza que te acompanha?
Como é possível pensar tão simples
onde impera tamanho caos?
Vejo-te a vir até mim.
Sinto-me pequenina:
pronta para ir onde tu me levares
enquanto me quiseres junto a ti.
Porque me sabes bem.
Porque me fazes tão realmente bem.



domingo, 18 de outubro de 2015

Momentos solidão



Da solidão pouco ou nada sei.
Sei que vivo nela
quando os meus pensamentos
me levam da vida para os sonhos
e saio para dentro de mim.
Agora que penso nisto,
não sei se é o que é
ou se é o que sou:
eu acompanhada
das palavras que tenho
entre momentos que já vivi
e pessoas que encontrei.
(Solidão desencontrada
na alma que me resta).
Mas neste pouco ou nada saber,
vivo as vezes que quero
o abraço que desejo apertar,
o olhar que sinto prazer
e o anseio que sei até tremer.
E esta solidão que nada temo
traz-me um forte cheiro a vida
com vontade a sempre mais
um pouco só para mim.
É o meu momento solidão.


domingo, 11 de outubro de 2015

O fim da inocência



Quando o pensamento está na língua e sai à velocidade de um instante:
é perante uma criança que se faz a alegria de ser inocente.
As palavras que saem a correr em busca da verdade,
de pele macia ou de sabor amargo,
esbarram no pudor nada original do julgamento de maior idade:
sucumbem-se as poses:
disfarçam-se as faces:
encenam-se censuras.
Feliz realidade de sentir no coração a alma de Ser Ainda Humano.
Mas o tempo traz desgostos em forma de desilusão e toda a magia transforma-se em levar tudo muito a sério.
A chuva deixa de formar poças de chapinhar gargalhadas:
passa a encharcar as angústias de todos os dias.
E o pensamento, outrora arisco, instala-se de malas e bagagens no sótão empoeirado revestido a preconceito.
É assim que se chora o silêncio de uma criança a menos.


domingo, 4 de outubro de 2015

Para te querer



Quero-te aqui comigo
junto a este mar cor de luz poente
a olhar para lá do fim
que parece não acabar mais.
É um querer maior que a inspiração
de um sonho meu de ti
a abraçar-me todos os medos
de simplesmente não te ter
onde quer que esteja sozinha
tão longe a respirar profundo.
Os teus olhos de alma grande
são a fonte onde bebo a força
para enfrentar o dia a espreitar.
E nos momentos em que a sede
tem a vontade debaixo do braço
deito-me sobre as recordações
e cubro-me com a manta de retalhos
pronta para mais um pedaço de nós.
És tudo o que preciso para te querer.