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quinta-feira, 25 de junho de 2015

Um novo despertar



Somos a dimensão do que sentimos
e não há medida para nós.
Sem corpo, as nossas almas
tocam-se com a intensidade
leve que nos leva para
onde o aprazível é mais que dor.
E como dói!
Saber a tudo o que somos.
Saber a esta felicidade tão nossa.
O brilho de um olhar sem fim
estremece as certezas de homem feito
e esse sussurro atrevido
sossega este Inverno intermitente.
Aguardo ansiosamente:
que a lua cheia venha para ficar;
que cada suspiro seja o beijo
ao acordar de todas as noites frias;
que todos os arrepios sejam
tão simplesmente
um novo despertar…


terça-feira, 12 de maio de 2015

Pedaço de mim



Sou pedaço de gente com ilusões na alma que de sonhos forçados no pensamento lembro aquilo que ainda não vivi.
Sou pedaço de vidro arrancado dos oceanos polido
pelas marés
e pelas areias
e pelas tempestades
que me tropeçaram até onde estou.
Sou pedaço de vida:
parte de mim multiplicado
pelas lágrimas que já libertei;
pelos prazeres que te roubei;
pelos segredos que tenho em mim.
E todos os sorrisos dos meus olhos são a memória de que um dia foste tão importante assim.
Mas nem eu te quero pouco, nem tu o que só me resta.
Por isso, vai. Segue o que acreditas.
Eu por aqui estarei:
pedaço obstinação,
pedaço loucura,
pedaço razão.
Pedaço de tudo o que me estremece e me faz sorrir feliz.


domingo, 3 de maio de 2015

Das pessoas



Gosto de pessoas bonitas.
Pessoas:
que têm a humildade entranhada na pele e a sabedoria num gesto de ternura;
que sabem do que falam, mas apenas falam do que sabem;
que vêem com o coração e amparam com a arte de ser humano;
que erram com as mãos, mas acertam com elevada emoção.
Pessoas:
com um sorriso no olhar que escutam com alma;
com gente por dentro e sentimento a transbordar corpo fora;
com força imponente do muito que são e do tanto que temem;
com vontade de conhecer o outro mesmo já sabendo o mundo.
Gosto de pessoas bonitas.
Tão simples quanto a água que as refresca, mas não apaga.
Tão marcantes quanto o tempo que as recorda, mas não amachuca.
Afinal, a beleza não está na ponta dos dedos, mas no cerne do infinito.


sábado, 2 de maio de 2015

Só nós dois sabemos



Não sei que tirania é esta mania
que me assiste e insiste
em me fazer compreender
porque me sinto no labirinto
dos teus braços sem abraços.

Não me conheço desde o começo
desta história nada estória:
apenas eu com Morfeu
embalada pela almofada
dos ideais nada reais.

Mas não há explicação no coração
do ser humano mundano:
amante da vida sofrida
de muitas cores e bons amores
carregados de alegria e energia.

Por isso, eis-me aqui perto de ti
à espera de te encontrar para me levar
onde te quero ter por te querer
tão simplesmente à minha frente:
sabemos bem só nós dois depois.


sexta-feira, 1 de maio de 2015

À noite todos os dias



Ser homem imperfeito
faz de ti um ser humano maravilhoso.
Porque a vida é mesmo assim:
cheia de caixinhas por abrir
e quando as abrimos,
por vontade de inocente saber
ou por força do acaso matreiro,
somos brindados com almas
preciosas de todas as cores.
E tu foste uma dessas caixinhas.
Chamaste por mim
como quem sussurra ao ouvido
os sonhos que sabias sonhar
de olhos atentos aos detalhes
que te fazem ser feliz.
Esse teu jeito envergonhado
quando te vês fora de ti
e a tua vaidade de peito aberto
e de braços firmes
divertem-me a cada saudade tua.
Mas é a melodia das tuas palavras
que me sossega o vazio dos dias
e me lembra que é à noite
que as nossas almas
finalmente se encontram…