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domingo, 26 de abril de 2015

Da ilusão



Não me venhas com palavras mansas:
já não há ilusão que me faça crer
no que não vejo diante de mim.
Bem podes deixar-te de valsas danças:
não sou quem pensas que sou:
estás para lá de enganado.
Sei para mim o que não quero.
Sei para quem eu nunca estou.
De que vale vires de melodia estudada
se eu sei com toda a minha certeza
que nada do que dizes sentes
dentro da tua alma enfadada?
Sou mulher bem resolvida
sem razão para não me gostar
o bastante para perceber
que me queres na tua vida
apenas por momentos isolados.
Por isso te digo com os olhos
postos em tudo o que já perdi:
és pedaços de ti mal amados
que quer possuir o que não tem
como quem deseja matar a sede
numa qualquer fonte bem proibida
disponível: ali: e além.


domingo, 12 de abril de 2015

Lacre



Tenho tanto excesso de saudade
das coisas simples da vida
que outras emoções por viver
me transbordam e fogem.
Por estar nesta enredada condição,
e querer que tudo fique por querer,
vou dobrar tamanha saudade,
com cuidado e muito esmero,
colocá-la dentro de um envelope
e enviá-la por correio apressado.
Quero que quem a receba
a perceba como mais ninguém.
E, para que saiba que toda ela é minha,
vou salpicá-la com perfume meu
e  inscrever o meu nome com tinta para sempre.
Assim, terei a certeza que do outro lado
terá a minha saudade guardada
na caixinha das recordações
e saberá que estarei sempre aqui
à espera que o correio me traga
a sua saudade bem lacrada.


sábado, 11 de abril de 2015

O que quero



Agora, senta-te e cala-te:
chegou a minha vez de te falar:
quero que oiças até ao fim
tudo o que tenho para te dizer.
Vou começar assim:
tenho uma vida maior
do que a minha existência.
De olhos na alma
e coração na boca,
como quem ama o infinito
e anseia o seguinte,
é como aconteço nos instantes
para além das minhas vontades.
E o teu sopro ao meu ouvido distante
faz-me vaguear as veias de felicidade
tão firme quanto os meus passos
vão ao teu encontro desejo.
E é só isso que te peço:
que me dês a mão sem me apertar a ilusão
de ser simplesmente eu dentro de mim:
só assim SOU capaz de baixar os braços
e deitar-me na certeza da TUA mão.


quinta-feira, 9 de abril de 2015

Ser feliz só mais uma vez



Não sei se te procuro
dentro de tudo o que te sinto;
se te encontro em tudo
o que és para mim
e eu sou por ti.
Por não encontrar o teu corpo
ao lado do meu perdido,
estando a minha alma
fora do que sou,
já me banhei de todas as lágrimas
que dariam o mais profundo dos oceanos.
Mas, porque sou mais sonho do que dor,
fazes-me feliz sendo apenas a lembrança
de um aperto no teu abraço;
de uma força nos teus olhos;
de uma certeza nas tuas mãos.
E a saudade que me rouba a razão
e me atira para estes meus devaneios
só me fazem querer-te
entre quatro paredes sem voz
para nos verem a saber tão bem juntos outra vez.
Só mais uma vez:
ser feliz assim.


sábado, 4 de abril de 2015

Cheiro a vida



Um dia, daqueles dias devagarinho com pés de lã e andar de caracol,
vou ter uma conversa com a vida para ver se ela me explica a razão:
de tudo o que já me deu com as mãos e me tirou do chão;
do pouco que dela sei cada vez menos de mim.

Vou encher-me de coragem
e olhá-la bem dentro dos olhos:
sem medo de me ver cheia de medo de me enfrentar
e encará-la de frente como se fosse minha.

Vou dizer-lhe sem qualquer hesitação
que já pode tirar as suas luvas cor de neve:
já estou tonta de tanto rodopiar
entre o que penso, o que sou e o que faço.

Vou segredar-lhe baixinho
que o sol nem sempre me acorda para ela:
acho até que, zangado, invade bruscamente o meu dia
para me ver caída nos meus pensamentos vagos.

Vou mostrar-lhe que, apesar dos tropeções,
tenciono sentir-me feliz dentro da minha pele:
sou como sou não sei graças a quem me fez Ser
como me sinto tão mais por inteiro de mim.

Um dia, daqueles dias que cheiram a vida depois da chuva,
vou sacudir o pó dos meus sonhos,
arrumar a bagunça em que me encontro
e partir em busca de tudo o que fui perdendo…