Site Optimizado para Firefox ou Chrome

O Brisa de Palavras apresenta problemas com o Internet Explorer. Em alternativa, queira, por favor, utilizar outro browser como o Firefox ou o Chrome. Obrigada.

terça-feira, 31 de março de 2015

Em paz



Tranquilidade estranha que se apoderou dos meus pensamentos
vazios de tristezas vãs e mágoas sem razão de existirem:

porque cada lágrima que chorei secou com o tempo
esquecido perdido nos sonhos que sonhei quando a lua
ainda era jovem e as estrelas ainda brilhavam só para mim:

porque a estranheza só me invadiu quando o que conhecia
era a inquietação de tanto querer quem não me queria
e lá andava eu de máscara em riste estando feliz
sendo nada daquilo que sempre tinha desejado:

porque o futuro esperou por mim ansioso
por me ver distraída ao virar da esquina da vida
e mostrou-me o presente passado enganado
com as certezas que tinha gravado sem a certeza
de que tudo valia nada de muito importante:

porque os anos passaram por cima do meu corpo
atento ao passar dos dias sempre a olhar para a frente
e a mente que me acompanha nesta jornada desenganada
regressou a mim feliz por me ter encontrado
novamente dentro da alma bem guardada
resguardada das intempéries desta minha caminhada.


domingo, 22 de março de 2015

Por mim fora



Sei que, para ti, não sou fácil de perceber:
vês-me com os olhos alinhados por um prumo.
Mas, para me saberes, tens de ver para lá do conceito.
Apaga o igual: escreve a multiplicação: verás a transparência de tudo o que sinto.
Por ti. Pelos outros. Por mim. Pela vida:
o acaso de viver uma que não é minha:
se calhar, foi por isso que demorei a chorá-la quando saltei mãe fora e realidade dentro:
se calhar, apercebi-me que o local não era suposto ser aquele e a altura deveria ser outra.
Esta alma inquieta quer desconformar tudo:
dar luz ao não se passa nada:
dar sentido ao desnorte que abomina.
Não sei viver na pele que não dói:
na alma que não grita.
E eu grito.
Grito quando preciso sair porta fora para não me asfixiar na razão teimosa
e deixo-me levar pela liberdade de ser apenas eu com tanto por sonhar:
o propósito de conhecer mais almas para além da tua:
se calhar, foi por isso que demorei a sentir vida quando sentia apenas corpo:
se calhar, apercebi-me que o choro de outrora foi uma simples matreirice do destino que me quis ver fora de mim…




quinta-feira, 19 de março de 2015

O meu privilégio



Sei-me privilegiada por tudo o que já passei ao longo da minha vida. Não sei o que me espera (ninguém sabe, aliás), mas sinto uma tremenda gratidão pelo caminho que foi dado a percorrer:
olho para trás e vejo que tive:
uma infância feliz;
uma adolescência irreverente;
uma juventude focada
e, agora, mãe de filhos e mulher por inteiro:
com uma bagagem mental e emocional intensa e bem preenchida.
Assim é a minha vida:
tão imperfeita quanto eu;
tão exigente quanto eu;
tão complicada quanto eu.
Tenho caído em alguns degraus: levantado alguns calhaus.
Tenho errado muito: aprendido mais.
Tenho tropeçado em gente: caminhado sempre em frente.
Tenho chorado por muito. Por tudo. Por nada.
Tenho sido frágil: derrubado cada medo.
Tenho descoberto a vida: nascido para a vida.
Tenho sido eu a crescer dentro do que sempre fui sem saber o que estava a acontecer.
A minha vida é mesmo assim: um privilégio.



sábado, 7 de março de 2015

Impossibilidades



Há sacrifícios maiores do que muitas vontades,
por isso entrego-me ao que tiver que ser
será no momento certo para alguém.
Há vidas maiores do que muitos sonhos
escondidos atrás da certeza de que
de nada valem tais devaneios
próprios de quem o juízo perdeu o rumo.
Há dores maiores do que tantas lágrimas
choradas ao relento de um abraço
tão ainda por apertar
que não sei se hei-de ir
ou se não será melhor esperar
que o tempo chame por mim.
Mas, mesmo havendo tantos impossíveis
maiores do que toda a felicidade sem fim,
peço-te que me leves para onde
eu posso ser eu
e tu podes ser tu
e tu podes ser meu
e eu posso ser tua
naquele instante em que tudo permanece
para lá de nós.


domingo, 1 de março de 2015

Se o universo escutasse



Se eu soubesse que todo o universo
me ouviria com atenção e cuidado
tudo o que tenho para lhe desabafar,
podes ter a certeza que nada ficaria por dizer.
Não haveria medos a pairar no escasso ar
que tento respirar de cada vez que invades
o meu pensamento teimoso por ti.
Não haveria dúvidas de que a impossibilidade                       
que nos atrai e trai bem dentro o que somos
transformar-se-ia na absoluta simbiose
de dois seres tão únicos um para o outro.
Mas a vida é marota com quem se julga
imune às imperfeições humanas
e o universo anda muito ocupado
para parar com os seus afazeres
e escutar tais tormentos.
Assim ando eu à deriva
numa embarcação feita de ilusões
arrastando-me para onde o destino me sopra
sem saber muito bem onde as estrelas brilham,
nem para que lado o sol amanhece.