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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Da minha alma



Leva-me daqui para o mundo sem sair do teu abraço
e serei tua tal como os teus olhos brilham envergonhados por me gostarem sem vergonha alguma.
O teu respirar atrapalhado e o teu jeito sem jeito para disfarçar perdem-me onde me encontro.
Não.
Não precisas de me ter medo.
Sou evidente demais para tal.
Amo tão simplesmente a vida que não resisto a gostar de ti fiel às tuas certezas fortes:
como alguém de dimensão tão grande consegue ser mais pequeno do que as emoções que carrega.
És tu.
Genuinamente tu feito de defeitos deliciosamente tão teus.
Mas, por agora:
respira fundo:
fecha os olhos
e deixa-te levar de mim para ti sem saíres da minha alma.


domingo, 22 de fevereiro de 2015

Ser mais



Aquele quero mais de mim para mim
para poder ser mais eu para os meus.
Não sou quem já fui:
andar para trás é recuar sem sair do sítio,
nem do tempo que não importa mais viver.
Aquele quero brotar da terra
para espreitar o mundo lá fora
e sentir o sol
e ver a chuva
e tremer o frio
e temer os trovões
e apetecer as flores e a Primavera
e todas as forças da natureza
entrarem em mim.
E, se o medo me tirar o sono
nas noites que ficam por sonhar,
acordarei todas as vontades
espelhadas no pensamento
e serei eu outra vez
naquele quero sempre mais um pouco
para ser sempre muito mais.


terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Tanto por viver



Ainda tenho tanta vida para sentir
que receio que o meu corpo vá terminar
antes da minha alma querer desistir
desta natureza ingrata sem par.
Tenho muitos sonhos por cumprir.
Alguns bem difíceis de concretizar
tal é o medo tamanho do erro existir
e a ânsia tremenda no engano estar.
Apesar desta ambiguidade insistir
em a minha vontade abrandar,
sou mais teimosa que a teimosia a ir
contra os muros por dominar.
E se o meu corpo amanhã falir,
nos acasos da vida por aguardar,
será pela tristeza de me ver sair
dessa alma tua tanto amar
e não pela ilusão de resistir
a todo o sempre muito sonhar.

 

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Há muito



Há muito que não sabes de mim.
Nem eu de ti.
E, no entanto, todos os dias, o corredor
das nossas vidas faz-nos cruzar
entre silêncios e tempos para cumprir.
Pergunto-me se saberás que nos perdemos
sem nunca deixarmos de tropeçar
os olhos nos pés um do outro.

Há muito de mim que não sabes.
Nem eu de ti.
E, no entanto, tentas espreitar de soslaio
uma das janelas que deixei aberta
para refrescar os sonhos que me restam.
Pergunto-me se saberás que é melhor
não veres mais para além do que sabes
já que sou demais para me perceberes.


sábado, 14 de fevereiro de 2015

Tic-Tac



O tamanho desta sala abafa-me os pensamentos vagos
e sinto o eco a entrar pele adentro,
como se o frio deste Inverno estivesse todo alojado
nesta casa outrora lar.
Tic-Tac Tic-Tac
Olho à minha volta para tentar perceber onde fiquei
da última vez que me vi feliz neste espaço.
As fotografias,
os cheiros,
os sons
estão todos guardados no meu baú das recordações
e, agora, só vejo pó a cobrir
estes móveis outrora sonhos.
Tic-Tac Tic-Tac
Não sei dizer
se é alívio,
se é nostalgia,
se é saudade
que está a abrir esta porta que tantas vezes bati
com a certeza de que nunca iria ser fechada.
Mas vai.
Para sempre.
Esta porta outrora inocência.
Tic-Tac Tic-Tac
Chegou a hora:
de virar costas para tudo isto que foi e fui
e virar-me para esta luz que está a iluminar
os horizontes traçados ainda tanto por realizar.
Sem ecos.
Sem pó.
Tic-Tac Tic-