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sábado, 14 de fevereiro de 2015

Por dentro



É em ti
que perco todos os meus sentidos
e o sentido que dou
ao sentido de tudo em que creio.
É em ti
que oiço a vida bater bem forte
como se fosses a vida da vida
a pulsar a vida que és.
É em ti
que o mundo pára a pressa do tempo
em passar o tempo a fugir-nos
com distracções sem tempo para nós.
É em ti
que fica o sabor que sabemos
sem que saibamos
quando será a nossa vez
de nos saborear outra vez.
É na tua voz,
no teu sorriso,
no teu olhar
que ficamos sempre que te quero junto a mim.
No meio de mim.


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Telepatia



A minha felicidade seria inteira
se me ouvisses sem que eu falasse;
se me entendesses sem me explicar.
Olhar-me-ias com a luz que te ilumina
e terias a lua a sorrir para ti.
Seria tudo bem mais fácil:
não haveria palavras escusas,
nem segredos por chorar.
Abraçar-me-ias
quando de um abraço precisasse:
render-me-ia aos teus encantos
de braço fortaleza
e espírito certeza.
Estarei eu a delirar com a perfeição?
Se os teus olhos não me vêem como sou,
como poderei eu chegar até ti?
As minhas fragilidades são enredos
que te escapam e me atiram
para o medo de me perder
no vazio que me deixaste
a cada silêncio teu…



sábado, 7 de fevereiro de 2015

Uma outra vida



Naquele instante em que nos vimos pela primeira vez soubemos que nos conhecíamos desde sempre.
Talvez desde outras vidas.
Outros corpos.
Não sei.
Sei que te senti: meio menino atrevido, meio homem que sabe o que quer.
Com resposta para tudo mesmo quando nada faz qualquer sentido.
Apreciador do Ser
como humano,
como comportamento,
como social no seu todo,
és Tu Ser carente de afectos e de atenção;
és Tu Ser extremamente inteligente: ouves mais o que pensas do que o que sentes
(e eis que abafas o que és com o que é melhor para todos);
és, acima de tudo, uma alma velha com espírito jovem apaixonado pela vida e pelos pequeninos detalhes que engraçam toda a nossa simples existência.
Desde aquele instante.
Desde aquele preciso momento em que tudo parou para nos ver a escutar em silêncio que tenho a certeza absoluta que já vivemos outrora uma história qualquer.


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Redenção



Peço perdão por todas as vezes
que magoei sem saber que o fazia
a quem certamente não merecia.
Conheço tão bem a dor
que magoar o outro com intenção
seria ser o resto que não sou.
Peço perdão por todas as vezes
que errei pensando estar certa
naquilo tudo que pensava.
A convicção com que vivo
leva-me a errar por querer
sempre mais disto que me leva.
Peço perdão por todas as vezes
que sou como sou com vontade
de ser muito mais além de mim.
Existo assim desde que a memória
me acompanha neste caminho estreito
entre ser feliz e estar bem assim.
Peço perdão.


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

A revelação



Sinto-me maior do que sou.
Como se o meu corpo
fosse demasiado pequeno
para albergar toda a alma
que me nasceu
e cresceu para fora de mim.
Como se todo o ar que respiro
fosse demasiado escasso
para me manter presa
a esta existência paralela.
Sinto-me a gritar para dentro.
Como se fosse pedaços
de alguém que quer fugir
de mim para o que sou.
Sinto-me prestes a romper a pele
e a desabrochar em pleno sangue…