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sábado, 24 de janeiro de 2015

Aquela voz



Há vozes que ficam.

São vozes perfume que ficam no ar
quando passam assertivas e decididas.
Arrastam os sentidos mais intensos
e entram ilusão dentro
em busca de um sonho de encantar.

São vozes força que, teimosas, fazem-se escutar
em cada hesitação; em cada medo.
Insistem em falar mais alto
mesmo quando o ruído da desilusão
encerra em si todos os fantasmas.

São vozes com corpo de homem feito
feito menino que sabe o que diz
e o que quer com a vida
tal é a transparência com que se dá
a quem o escuta atentamente.

Há vozes que ficam.


A certeza



Não quero favores.
Não quero compaixão.
Quero que fiques porque queres.
Porque me queres.
Porque quando olhas para mim
vês a miúda que conheceste
e sentes o estômago a tremer.
Porque no final do dia
tudo o que mais desejas
é chegar a casa
e estar comigo.
Apenas estar.
Lembras-te como éramos?
Ficávamos horas a fio
ora a conversar sobre tudo
(nessa idade tudo é assunto de conversa),
ora abraçados a ouvir-nos respirar
(nessa idade toda a respiração é intensa).
Os anos passaram
mais rápido do que o tempo
e tudo está diferente.
Nós estamos diferentes.
Não sei onde ficámos.
Não sei onde estamos.
Mas há uma certeza em mim:
quero que vás se ficas só porque sim.


quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

O meu conselho



Basta!
Chega de fazeres o que sabes que não deves.
Chega de quereres o que sabes que não podes.
Chega de tanta parvoíce junta numa só pessoa!
Minha querida amiga, vais fazer o que te digo:
afasta-te para lá do longe.
Sem medo de errar.
Sem medo de perder.
Se errares, aprendes como sempre aprendeste.
Se perderes, irás encontrar por aí onde andas.
Sem medo.
Não tens que ter medo.
Tens que ser tu como sempre foste:
ponderada nas acções;
autêntica nas reacções.
Tu.
Basta seres tu para existir a pessoa mais importante na tua vida.
Agora, dá-te colo e mima-te como sabes que precisas, mas segue em frente.
Há muita vida à tua espera.


terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Entre o ser e o sentir



Eu sei o que sinto, quando sinto e porque sinto.
As minhas tristezas e as minhas alegrias são-me fáceis de perceber:
conheço os antecedentes que contribuíram para a minha construção;
sei o contexto e a envolvência que manuseiam as minhas emoções
e percebo facilmente a razão das sensações que me invadem a alma e que se reflectem no olhar e quantas vezes no rosto.
Por isso, digo com toda a convicção: eu sei o que sinto, quando sinto e porque sinto.
Mais complicado para mim é saber o que fazer com o que sou. Aqui é que está o enredo mais enredado na história dos argumentos.
Eu sei o que sinto, quando sinto e porque sinto. Não tenho dúvidas quanto a isso.
Agora, a partir do momento em que:
em vez de beber lentamente o que sinto;
em vez de apreciar o sabor do momento;
em vez de viver para apenas sentir:
me ponho a tentar perceber:
a génese;
o tempo;
e a razão
do muito que estou a sentir:
confesso: não sei o que fazer com o que sou. Com o tanto que sou. Seria tudo bem mais fácil se:
estou feliz: óptimo: vou viver esta felicidade;
estou triste: é normal: vou mudar de rumo.
Mas não. Devo achar que complicado é melhor do que simples. Não sei.

Uma coisa é certa: perco-me muitas vezes entre o que sou e o que sinto, mas depois de muito pensar acho que me encontro entre o que sei sentir e o que sei ser. Algures por aí… 



segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

A nossa história



Apetece-me escrever sobre nós.
O que já fomos.
O que já fizemos.
O que já passámos.
Olho para trás e vejo que temos muitas histórias para contar aos nossos filhos quando forem mais crescidos para entenderem como nós nos conhecemos. A razão que nos encontrou sem razão que alguém entenda no seu senso mais comum. Mas nós nada temos de comum. Em comum: muita coisa.
Voltando às histórias que um dia vamos contar aos nossos filhos:
(já viste – com toda a certeza que já viste – como os nossos filhos são a mistura mais deliciosa de tu com eu?
O olhar meigo de um.
O sentido de humor do outro.
Os feitios, os jeitos e os trejeitos de ambos.
Os nossos filhos são muito nós. Tão nós que não são nossos. Um dia, seguirão as suas vidas e terão as suas próprias histórias para contar)
sabes o que quero que eles saibam?
Como a vida, marota, uniu a improbabilidade com a certeza do que se quer apesar da inocência daqueles tempos. 
Que a juventude não é sinal de imaturidade, mas de força para enfrentar o que vier. Venha o que vier.
Que tudo o que se vive será o pilar para aguentar as tempestades inevitáveis de duas vidas partilhadas.
Que nada se apaga. Tudo nos faz.
Quero que saibam que eles já existiam bem antes de nascerem e que, acima de tudo, os amávamos quando nos vimos pela primeira vez. Tu tímido. Eu atenta.
Somos mesmo nós. Só nós. Mesmo.