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sábado, 20 de dezembro de 2014

Fui levada



Fui levada para um campo sem terra
pelo que não tinha e tinha de ter
tal era a sede de viver.
E nesse campo sem terra, nem chão,
havia uma flor de seda cor de sonho
que me falava palavras de quem sabia
tudo aquilo que dizia.
Fui levada para um campo cheio de vida
pela vida que me esperava sentada
ao luar de uma ilusão.
E nesse campo cheio de vida, cheio de luz,
vi-me acompanhada de mim
a passos largos para o meu querer
muito sem nada esmorecer.
Muito ouvi.
Mais aprendi.
Depressa regressei ao tempo que era meu
onde a terra e o chão me trazem de volta
ao que fui antes ainda de ser;
onde a vida e a luz se escondem marotas
ansiosas por me descobrir.
Agora, sempre que deixo de me sentir,
levo-me ao campo que me cresceu a alma
e alimento-me dessa força fora de mim.


domingo, 14 de dezembro de 2014

A ti me declaro



Adoro esse teu jeito de ser:
meio sem jeito, meio envergonhada;
meio divertida, meio engraçada;
meio independente, meio valente;
meio espontânea, meio com vontade;
meio por inteiro em tudo que fazes,
meio com tudo o que dás de ti.
Contigo não quero partilhar tecto,
pois o tecto esconde as estrelas
e o infinito que quero multiplicar
pelo muito que somos juntos.
Não nos quero entre quatro paredes,
pois separam o que fazemos
do que sentimos longe do mundo
que nos aguarda ansiosamente.
Contigo quero
segredar confidências,
reproduzir afectos,
beber sensações,
tocar o que dói,
viver o que não morre.
Por tudo o que me fazes ser
de cada vez que te tenho em mim
digo em alta voz:
és o meu melhor pecado.


segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

O meu livro



A minha vida não é um livro aberto
que toda a gente pode ler e interpretar.
Não se encontra numa qualquer estante
à espera que a vejam
e a limpem do pó do esquecimento.
Não se empresta a ninguém,
nem se presta a juízos de quem julga saber
o que é impossível perceber.
A minha vida tem folhas inscritas guardadas
no baú que carrego em mim
e tem mais vida para lá desta que revelo.
É o meu esconderijo.
O meu abrigo.
O meu amparo.
Só eu sei o que já chorei.
O que já passei.
O que já vivi.
E, apesar de minha, nem sempre entendi
a mensagem que estava a nascer.
Sei que a minha vida ainda tem folhas por escrever.
Não sei se poucas. Se muitas.
Não sou eu que estou a compor
este argumento sem guião.
Apenas danço a música que me inspirar viver
e agradeço cada página que consiga virar.


domingo, 7 de dezembro de 2014

Os teus sentidos



Deixa-me voar e estarás.
Deixa-me ser eu e terás.
Preciso de mim,
no mais inteiro que sou,
para poder ser.
E não há nada que me prenda a ti
senão esta vontade de ir
para depois regressar.
Não. Não quero partir.
Quero apenas descobrir
o que sou no universo de mim.
Não é de ti que preciso:
és outro que não eu.
Não és sombra.
Não és imagem.
És o possível de ti.
E de ti nada quero
senão os sentidos
que te levam de mim.


segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Encantamento



Magia que aperta o coração
e esmaga a respiração.
Comporta ansiedade.
Vontade.
Desejo carinho.
Sabor devagarinho.

Magia que abraça o ensejo
e sonha com o toque.
Arrepia a alma apressada em busca de um beijo.
Contempla cumplicidades.
Intimidades.
Tanto que o olhar diz.

Magia que sorri para dentro
e brilha a cada sopro.
Poro felicidade.
Muita irracionalidade.
Lágrimas por vir.
Tanto que é existir.