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domingo, 14 de dezembro de 2014

A ti me declaro



Adoro esse teu jeito de ser:
meio sem jeito, meio envergonhada;
meio divertida, meio engraçada;
meio independente, meio valente;
meio espontânea, meio com vontade;
meio por inteiro em tudo que fazes,
meio com tudo o que dás de ti.
Contigo não quero partilhar tecto,
pois o tecto esconde as estrelas
e o infinito que quero multiplicar
pelo muito que somos juntos.
Não nos quero entre quatro paredes,
pois separam o que fazemos
do que sentimos longe do mundo
que nos aguarda ansiosamente.
Contigo quero
segredar confidências,
reproduzir afectos,
beber sensações,
tocar o que dói,
viver o que não morre.
Por tudo o que me fazes ser
de cada vez que te tenho em mim
digo em alta voz:
és o meu melhor pecado.


segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

O meu livro



A minha vida não é um livro aberto
que toda a gente pode ler e interpretar.
Não se encontra numa qualquer estante
à espera que a vejam
e a limpem do pó do esquecimento.
Não se empresta a ninguém,
nem se presta a juízos de quem julga saber
o que é impossível perceber.
A minha vida tem folhas inscritas guardadas
no baú que carrego em mim
e tem mais vida para lá desta que revelo.
É o meu esconderijo.
O meu abrigo.
O meu amparo.
Só eu sei o que já chorei.
O que já passei.
O que já vivi.
E, apesar de minha, nem sempre entendi
a mensagem que estava a nascer.
Sei que a minha vida ainda tem folhas por escrever.
Não sei se poucas. Se muitas.
Não sou eu que estou a compor
este argumento sem guião.
Apenas danço a música que me inspirar viver
e agradeço cada página que consiga virar.


domingo, 7 de dezembro de 2014

Os teus sentidos



Deixa-me voar e estarás.
Deixa-me ser eu e terás.
Preciso de mim,
no mais inteiro que sou,
para poder ser.
E não há nada que me prenda a ti
senão esta vontade de ir
para depois regressar.
Não. Não quero partir.
Quero apenas descobrir
o que sou no universo de mim.
Não é de ti que preciso:
és outro que não eu.
Não és sombra.
Não és imagem.
És o possível de ti.
E de ti nada quero
senão os sentidos
que te levam de mim.


segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Encantamento



Magia que aperta o coração
e esmaga a respiração.
Comporta ansiedade.
Vontade.
Desejo carinho.
Sabor devagarinho.

Magia que abraça o ensejo
e sonha com o toque.
Arrepia a alma apressada em busca de um beijo.
Contempla cumplicidades.
Intimidades.
Tanto que o olhar diz.

Magia que sorri para dentro
e brilha a cada sopro.
Poro felicidade.
Muita irracionalidade.
Lágrimas por vir.
Tanto que é existir.



sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Mais ou menos



Há seres assim:
com os pés agarrados à terra
e as mãos atadas à cabeça.
Seres sem paixão de alma
que sentem com o corpo
e esquecem com o tempo.
Seres que envelhecem
agarrados a julgamentos;
limitados nos afectos,
nos pequenos gestos,
nas palavras por dizer.
Seres que carregam o fardo da vida
em vez de beber o sabor de viver
não conhecem a leveza de um sonho
sempre em busca de uma nova estrela.
Seres que não interpretam o silêncio
não sabem ler a ausência
de um olhar mais intenso.
Seres que nunca procuram.
Nunca questionam.
Nunca transbordam.

Há seres assim…