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sábado, 15 de novembro de 2014

Eu, assim



Aceita-me
no mais natural de mim.
Nos dias em que o medo
me invade e expulsa
o pensamento
com sentido.
Nas noites em que o frio
me treme e aquece
os devaneios
meus de ti.
Nos dias em que o silêncio
me corrói e constrói
a ausência
tua em mim.
Nas noites em que as horas
pingam e perfuram
as memórias
ainda por viver.
Aceita-me, assim,
no mais natural de mim.


quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Não sei porquê



Pareces um ser que não se vê,
mas se sente em toda a parte.
Na cidade onde vivo,
vives tu em cada esquina.
No parque onde passeio,
estás lá tu a caminhar.
Pareces presente
estando ausente,
pois eu vejo-te em todo o lado.
No café, pela manhã,
ainda meio estremunhado,
sinto o teu perfume
ligeiramente amadeirado.
Não sei porque estou assim.
Não percebo esta ilusão.
Desconheço-me de todo
no meio deste turbilhão.
Seduzes-me devagarinho
como quem está distraído
e não vê o que se passa
para lá do universo teu.
E no fim de mais um dia,
derrotado pela verdade,
deito-me cansado
de estares comigo sem estar.


segunda-feira, 10 de novembro de 2014

A boneca de trapos



Na prateleira de uma estante
fechada com portas de vidro,
a boneca de trapos
fica à espera que se lembrem dela.
Fica, ali, quietinha,
ansiosa por ver as portas
serem abertas pelas mesmas mãos
que lhe poderão dar o colo que reclama.
Um dia, porém,
há-de chegar alguém
que deixe as portas entreabertas
e, sentindo o ar fresco da vida,
acorde a boneca de trapos.
Aí, os seus olhos ganharão brilho;
os seus lábios sorrirão
e todo o seu corpo ganhará a dimensão
de sentir calor sem  ilusão.
Com a jovialidade de ser (de) novo,
saltará do alto da prateleira:
a boneca de trapos
não o será mais.
Será a força de gerar vida;
de nutrir com amor;
de crescer com a dor;
de viver para a frente.
A boneca de trapos
será, então, esculpida nas páginas
de um livro ainda por escrever
e fará parte do imaginário
de quem quer ser realmente feliz.


terça-feira, 4 de novembro de 2014

Dias perdidos



Há dias assim:
desprovidos de fôlego.
Sem momentos
entusiasmados,
nem exasperados.
Daqueles dias inertes
onde nem o sol aquece o corpo,
nem a sombra arrepia a alma.
Dias de cortina fechada
e de luz apagada.
Dias isentos de sonhos
e de suspiros
onde o peso da existência
nos enterra a disposição
e levanta a depressão.
Dias que parecem décadas
tal a demora
em ir-se embora.
E quando, finalmente, a noite vem
já o dia foi perdido
e nada fez qualquer sentido…


sábado, 1 de novembro de 2014

O meu feitio



Maldito seja este meu feitio.
É exagerado
quando a moderação
poderia ser a melhor conselheira.
É temperamental
quando a cegueira das emoções
limita o pensamento.
É ansioso
quando a intensidade do momento
me invade as entranhas
e me perde a alma.
Queria eu ser diferente
e tudo seria bem mais simples.
Mais sereno.
Mais perfeito.
Não seria eu.
Seria outra que não eu
e, aí, esse feitio continuaria a ser maldito,
mas não meu.
E andaria eu algures a vaguear
numa matéria que não esta
que me faz.
Ai este meu feitio…