Site Optimizado para Firefox ou Chrome

O Brisa de Palavras apresenta problemas com o Internet Explorer. Em alternativa, queira, por favor, utilizar outro browser como o Firefox ou o Chrome. Obrigada.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Desabraços



Nada há em que acredito
com a força dos sonhos de outrora.
Ilusões cor de inocência:
ar que respirava
e me inspirava
para crer que a possibilidade
estava em tudo:
bastava querer.
Engano meu.
A minha vontade                           
é de poder frágil
diante do querer
que me comanda a vida.
E não há nada para lá do que vejo.
Para lá do que sinto em mim.
Não há encantamento,
nem brilho no olhar.
Não há loucura apaixonada,
nem impulsividade ao luar.
Há dias cinzentos
seguidos de semanas apressadas
contra o tempo
que urge ter,
mas não viver.
Há silêncios contidos.
Momentos esquecidos.
Desabraçados de nós…


domingo, 19 de outubro de 2014

Do esquecimento



Não sei quem sou.
Não sei quem és tu que me falas e me dizes palavras que não entendo.
Não. Não sei que lugar é este: frio e desconhecido.
Tira-me daqui.
Leva-me para casa. Para o colo da minha querida mãe: já deve estar ralada pois a noite, não tarda nada, está a chegar.
Não sei quem sou.
Quem és tu que me falas doce, mas gritas dores que desconheço?
Não. Não sei onde fica o lar que me viu crescer. Apenas sei que me alenta e atenta o coração.
Por favor: não me faças mais perguntas: a nenhuma sei responder.
Sei que aqui estou, mas não sei quem sou, nem a quem me dou.
Deixa-me estar, mas, peço-te por tudo que te é mais sagrado: tira-me deste lugar.


terça-feira, 14 de outubro de 2014

Encontrar



Queria eu ter sabido o que hoje sei e nem sei o que faria.
O que me faria.
Se calhar, faria o que achava melhor para mim.
(espera: foi isso que fiz.)
Ou talvez não.
(achar é a opinião de quem nada sabe: logo: erro na certa).
Por isso, digo com toda a certeza que me assiste:
(agora que sei alguma coisa)
não acho nada.
Absolutamente nada.
Apenas encontro a cada dia que passa.
A mim.
E, melhor do que isso:
encontro cada vez mais e melhor.
Não acho nada.
Nem me importa o que acham.
Antes de acharem, façam o favor de encontrar.
A mim.
E aí falaremos com a sapiência de quem encontra o que realmente importa. 


Razão para nada

Tudo começou do nada.
Eu aqui.
Tu aí.
Tão distantes
quanto a distância pode estar.
E tudo começou daí.
Tão longe de imaginarmos
o tudo que queríamos
sem sabermos de nada.
Sem sabermos de nós.
E mesmo sem sabermos:
tudo virou nada
ao virar de uma página.
Afinal, tudo acabara
ainda antes de nada começar.
Final de uma estória
sem princípio nem fim
de coisa alguma.
Nada vira tudo
sem razão para tal
quando a razão está longe
de nos ver como nunca fomos.


sábado, 11 de outubro de 2014

Uma questão de espaço



Preciso de espaço.
Do meu espaço.
Para pensar.
Para mim.
Para largar as dores da terra
e sentir a leveza que me levita.
Mas há muitos espaços
nos espaços que sinto.
Preciso de ter espaço
na vida de quem amo.
Arrepiar um lugar,
por mais pequeno que seja,
para me confortar
nas horas difíceis
sem espaço para respirar.
Preciso sangrar vida
no espaço que ocupo
aqui e agora:
ainda tenho forças para crescer.
Preciso de pedaços
de espaços espalhados
por onde passo:
sentir que sou
para além do que existe
fora de mim.




quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Contigo, consigo



Contigo
iria até ao fim do mundo
e recomeçá-lo-ia
no princípio do novo.
Contigo,
consigo
ver esse fim tão perto
do que já foi feito
e distanciar-me
da primeira vez de tudo.

(Afinal, o fim do mundo
não é o abismo de ser grande,
mas a planície da ilusão sem fim.)

Contigo
iria até ao fim do mundo
se o mundo tivesse o fim
que sonhámos para nós.

(De mãos dadas,
saltávamos em busca do ser pleno.)

Mas o mundo
é um mundo que não acaba mais
por mais voltas que dê a vida
e o meu corpo
chora a alma que desencontrou.
Contigo,
consigo
ir além do fim que nos espera
ali mesmo ao virar
de uma qualquer distracção banal.
Mesmo contigo,
consigo
ser quem sou
e quem quero ser
ao lado de quem me quer…