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terça-feira, 14 de outubro de 2014

Razão para nada

Tudo começou do nada.
Eu aqui.
Tu aí.
Tão distantes
quanto a distância pode estar.
E tudo começou daí.
Tão longe de imaginarmos
o tudo que queríamos
sem sabermos de nada.
Sem sabermos de nós.
E mesmo sem sabermos:
tudo virou nada
ao virar de uma página.
Afinal, tudo acabara
ainda antes de nada começar.
Final de uma estória
sem princípio nem fim
de coisa alguma.
Nada vira tudo
sem razão para tal
quando a razão está longe
de nos ver como nunca fomos.


sábado, 11 de outubro de 2014

Uma questão de espaço



Preciso de espaço.
Do meu espaço.
Para pensar.
Para mim.
Para largar as dores da terra
e sentir a leveza que me levita.
Mas há muitos espaços
nos espaços que sinto.
Preciso de ter espaço
na vida de quem amo.
Arrepiar um lugar,
por mais pequeno que seja,
para me confortar
nas horas difíceis
sem espaço para respirar.
Preciso sangrar vida
no espaço que ocupo
aqui e agora:
ainda tenho forças para crescer.
Preciso de pedaços
de espaços espalhados
por onde passo:
sentir que sou
para além do que existe
fora de mim.




quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Contigo, consigo



Contigo
iria até ao fim do mundo
e recomeçá-lo-ia
no princípio do novo.
Contigo,
consigo
ver esse fim tão perto
do que já foi feito
e distanciar-me
da primeira vez de tudo.

(Afinal, o fim do mundo
não é o abismo de ser grande,
mas a planície da ilusão sem fim.)

Contigo
iria até ao fim do mundo
se o mundo tivesse o fim
que sonhámos para nós.

(De mãos dadas,
saltávamos em busca do ser pleno.)

Mas o mundo
é um mundo que não acaba mais
por mais voltas que dê a vida
e o meu corpo
chora a alma que desencontrou.
Contigo,
consigo
ir além do fim que nos espera
ali mesmo ao virar
de uma qualquer distracção banal.
Mesmo contigo,
consigo
ser quem sou
e quem quero ser
ao lado de quem me quer…


terça-feira, 16 de setembro de 2014

Ser assim



Sou mesmo parva.
É isso que sou: parva.

Quem me manda idealizar
se o Homem é humano
e nunca ideal?

Quem me manda sonhar
quando a vida me acorda
a cada minuto que respiro?

Sou mesmo parva.
Haja melhor palavra que espelhe
este querer viver diferente
e deixar-me-ei de achar
tão estupidamente parva.
É isso que sou: estupidamente parva.

Quem me manda pensar
com o coração a transbordar
de ilusões infantis?

Quem me manda andar
com a cabeça no mundo do encantamento
quando este mundo onde vivo
está cheio de realidades
frívolas e desinteressantes?

Sou mesmo estupidamente parva.
Não há alma alguma que me surpreenda
com a simplicidade do inesperado.
Que me leve de mim para dentro
e me dê a mão a cada medo meu.

Quem me manda ser assim?


sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Sou praia



Como eu ando:
de pés descalços:
a sentir a areia invadir o que me leva a caminhar por ali.
A água do mar vai e vem.
E eu vou.
Ao sabor nem sei de quê.
Vou.
Porque quero.
Porque sinto.
Porque a saudade do que vem sufoca-me.
Venho.
A mim.
E ali estás tu.
A olhar para mim.
Por mim.
Dás-me a mão:
conheces-me ainda antes de nos conhecermos.
(sabes-me tão bem.)
E eu vou.

Só sou praia porque tu és mar.



domingo, 7 de setembro de 2014

Se acontecer



Aconteça o que acontecer:
estarei aqui.
Não sei se à tua espera,
se à espera que o tempo
tenha tempo para mim.

(tenha ao menos o tempo
tempo para mim)

Sei que estarei aqui:
na minha vida bem pequenina
bem igual a tantas outras vidas pequeninas
preenchidas de vazios
e de respostas por encontrar.

(há lamentos que se nos deparam
difíceis de entender)

Sei que estarei aqui:
em busca do ar que preciso
para me alimentar a alma
desencontrada de mim
algures no que fui deixando de ser.

(procuro-me incessantemente
sem saber bem onde estou)

Aconteça o que acontecer:
não sei se estarei aqui:
não sou eu que me guio, nem me oriento:
sou uma velha acácia carregada de espinhos
à espera que me arranquem do que sou.