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terça-feira, 16 de setembro de 2014

Ser assim



Sou mesmo parva.
É isso que sou: parva.

Quem me manda idealizar
se o Homem é humano
e nunca ideal?

Quem me manda sonhar
quando a vida me acorda
a cada minuto que respiro?

Sou mesmo parva.
Haja melhor palavra que espelhe
este querer viver diferente
e deixar-me-ei de achar
tão estupidamente parva.
É isso que sou: estupidamente parva.

Quem me manda pensar
com o coração a transbordar
de ilusões infantis?

Quem me manda andar
com a cabeça no mundo do encantamento
quando este mundo onde vivo
está cheio de realidades
frívolas e desinteressantes?

Sou mesmo estupidamente parva.
Não há alma alguma que me surpreenda
com a simplicidade do inesperado.
Que me leve de mim para dentro
e me dê a mão a cada medo meu.

Quem me manda ser assim?


sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Sou praia



Como eu ando:
de pés descalços:
a sentir a areia invadir o que me leva a caminhar por ali.
A água do mar vai e vem.
E eu vou.
Ao sabor nem sei de quê.
Vou.
Porque quero.
Porque sinto.
Porque a saudade do que vem sufoca-me.
Venho.
A mim.
E ali estás tu.
A olhar para mim.
Por mim.
Dás-me a mão:
conheces-me ainda antes de nos conhecermos.
(sabes-me tão bem.)
E eu vou.

Só sou praia porque tu és mar.



domingo, 7 de setembro de 2014

Se acontecer



Aconteça o que acontecer:
estarei aqui.
Não sei se à tua espera,
se à espera que o tempo
tenha tempo para mim.

(tenha ao menos o tempo
tempo para mim)

Sei que estarei aqui:
na minha vida bem pequenina
bem igual a tantas outras vidas pequeninas
preenchidas de vazios
e de respostas por encontrar.

(há lamentos que se nos deparam
difíceis de entender)

Sei que estarei aqui:
em busca do ar que preciso
para me alimentar a alma
desencontrada de mim
algures no que fui deixando de ser.

(procuro-me incessantemente
sem saber bem onde estou)

Aconteça o que acontecer:
não sei se estarei aqui:
não sou eu que me guio, nem me oriento:
sou uma velha acácia carregada de espinhos
à espera que me arranquem do que sou.


sábado, 23 de agosto de 2014

Tão nada



Dóís-me por dentro.
Bastante dentro do que sou.
Sinto-te sem estarmos
e quando não estamos és o que te sei.
Mas não estás.
Nunca estás.
E nem sei se te sei.
Por isso me dóis tanto.
E sorrio:
sempre que vislumbro
o desejo neste nós
ainda por percorrer.
Somos o que queremos
sem poder querer:
nada somos.
Tu és. Eu sou.
Tão muito. Tão nada.
Que será de mim que tanto me levas?
Que será de ti que nada sei?


sábado, 2 de agosto de 2014

Chuva de verão



Quão apaziguador é
sentir a chuva num dia de verão.
Arrefecer o incómodo.
Refrescar os desânimos.
Ver a natureza banhar-se
de uma nova vida
dando vida ao sentido
que não tem.
Arrepiar a ânsia de se cobrir
de braços apertados
e ver que, afinal,
a chuva escuta o aperto no peito
e, com suas mãos firmes,
afasta todos os mundos
de cima dos nossos ombros…