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sábado, 23 de agosto de 2014

Tão nada



Dóís-me por dentro.
Bastante dentro do que sou.
Sinto-te sem estarmos
e quando não estamos és o que te sei.
Mas não estás.
Nunca estás.
E nem sei se te sei.
Por isso me dóis tanto.
E sorrio:
sempre que vislumbro
o desejo neste nós
ainda por percorrer.
Somos o que queremos
sem poder querer:
nada somos.
Tu és. Eu sou.
Tão muito. Tão nada.
Que será de mim que tanto me levas?
Que será de ti que nada sei?


sábado, 2 de agosto de 2014

Chuva de verão



Quão apaziguador é
sentir a chuva num dia de verão.
Arrefecer o incómodo.
Refrescar os desânimos.
Ver a natureza banhar-se
de uma nova vida
dando vida ao sentido
que não tem.
Arrepiar a ânsia de se cobrir
de braços apertados
e ver que, afinal,
a chuva escuta o aperto no peito
e, com suas mãos firmes,
afasta todos os mundos
de cima dos nossos ombros…


quinta-feira, 24 de julho de 2014

Simplesmente



Alma cansada.
Cabeça sem sentido
em busca do que julga perdido
sem saber que não se perde
o que não se conhece.
Desejo de voltar ao teria sido
sem ter sido coisa alguma.
Olha para o chão
como se os sonhos fossem
a sombra de uma ilusão
e não a linha do horizonte.
Caminha de costas voltadas
para o tempo,
derrubando pedaços de vida,
pisando rasgos de felicidade.
(O medo constrói muros
que nem a lua consegue iluminar)
E, assim, morre o poeta que nasceu,
mas nunca sofreu
o prazer de existir, simplesmente.



terça-feira, 15 de julho de 2014

Do atrevimento



Desengana-te.
Não te deixes iludir
que os teus olhos desejam mais do que sabem
quando não precisam tanto de ver.
Os olhos são o ócio do discernimento.
A perfeição: a miragem no deserto das emoções.
Desengana-te.
Sou tão imperfeita
que quero mais do que me apetece.
A minha vontade é fraca de força:
fragilidade que me rouba os braços
e abraça as asas dos meus devaneios.
Desengana-te.
Posso muito bem estar contigo,
mas estarei mais vezes dentro de mim:
não é não gostar de ti:
é apenas Ser assim.
Será que te atreves?


domingo, 13 de julho de 2014

Sozinha na multidão



Quero estar sozinha.
Quero muito estar sozinha
acompanhada de ti
na já memória.

Quero ler-te a palma das mãos
com palavras ditas da boca para dentro
para que me afagues os cabelos
soltos ao vento de um suspiro.

Quero fugir-te por alma fraca
despida quando me olhas.
Calar a tua pele cheiro a abraço
e escutar o teu peito cheio de vida.

Quero que me arrepies o medo
de não te descobrir em mim
e, sozinha, me encontre
no meio de uma multidão.