Site Optimizado para Firefox ou Chrome

O Brisa de Palavras apresenta problemas com o Internet Explorer. Em alternativa, queira, por favor, utilizar outro browser como o Firefox ou o Chrome. Obrigada.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Simplesmente



Alma cansada.
Cabeça sem sentido
em busca do que julga perdido
sem saber que não se perde
o que não se conhece.
Desejo de voltar ao teria sido
sem ter sido coisa alguma.
Olha para o chão
como se os sonhos fossem
a sombra de uma ilusão
e não a linha do horizonte.
Caminha de costas voltadas
para o tempo,
derrubando pedaços de vida,
pisando rasgos de felicidade.
(O medo constrói muros
que nem a lua consegue iluminar)
E, assim, morre o poeta que nasceu,
mas nunca sofreu
o prazer de existir, simplesmente.



terça-feira, 15 de julho de 2014

Do atrevimento



Desengana-te.
Não te deixes iludir
que os teus olhos desejam mais do que sabem
quando não precisam tanto de ver.
Os olhos são o ócio do discernimento.
A perfeição: a miragem no deserto das emoções.
Desengana-te.
Sou tão imperfeita
que quero mais do que me apetece.
A minha vontade é fraca de força:
fragilidade que me rouba os braços
e abraça as asas dos meus devaneios.
Desengana-te.
Posso muito bem estar contigo,
mas estarei mais vezes dentro de mim:
não é não gostar de ti:
é apenas Ser assim.
Será que te atreves?


domingo, 13 de julho de 2014

Sozinha na multidão



Quero estar sozinha.
Quero muito estar sozinha
acompanhada de ti
na já memória.

Quero ler-te a palma das mãos
com palavras ditas da boca para dentro
para que me afagues os cabelos
soltos ao vento de um suspiro.

Quero fugir-te por alma fraca
despida quando me olhas.
Calar a tua pele cheiro a abraço
e escutar o teu peito cheio de vida.

Quero que me arrepies o medo
de não te descobrir em mim
e, sozinha, me encontre
no meio de uma multidão.


domingo, 6 de julho de 2014

Eu não sou tua



Eu não sou tua.
Não sou de ninguém.
Sou ser do universo
enquanto me quiser por aqui.
Surgi num querer sem querer
e cá tenho andado à deriva de mim.
Estou maior do já fui
aos trambolhões pelos meus sonhos:
de nada tenho muito.
Sei-me efémera e frágil
e que o vento, um dia, levar-me-á
para o útero da vida:
deixarei pedaços de mim
espalhados por aí.

Perdoa-me,
mas eu não sou tua.


quinta-feira, 3 de julho de 2014

Em branco



Estou aqui:
sem ser o que sou
naquilo que faço
com o que penso.
Estou aqui:
sem escutar o que sinto
com receio de tudo
e medo de nada.
Estou aqui sem estar
por estar sem gosto de ser.
Encruzilhada
embrulhada
em papel de jornal
amarfanhado de notícias em branco:
leitura cega
do que simplesmente desconheço…