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quinta-feira, 3 de julho de 2014

Em branco



Estou aqui:
sem ser o que sou
naquilo que faço
com o que penso.
Estou aqui:
sem escutar o que sinto
com receio de tudo
e medo de nada.
Estou aqui sem estar
por estar sem gosto de ser.
Encruzilhada
embrulhada
em papel de jornal
amarfanhado de notícias em branco:
leitura cega
do que simplesmente desconheço… 


sábado, 3 de maio de 2014

O meu Dia da Mãe



Nasceste numa segunda-feira.
Depois de peripécias e sobressaltos
(que mais pareciam uma sequela
de uma outra novela mexicana vivida 3 anos antes),
nasceste.
Pequenina.
Ainda mais pequenina do que o teu irmão
(não sabia que era possível).
Cheia de cabelo escuro.
Morena.
Pequenina.
Nasceste, mas não nasceste sozinha.
Nasci contigo.
Sabes? É isso que acontece às mães:
nascem quando nasce um filho.
É um nascimento que não se explica.
É um crescimento sem régua para medir.

Desde o dia que o Nuno, o teu mano,
te viu pronta para a vida
e te trouxe para casa,
nunca mais te largou a mão.
Ainda de regresso a casa,
lá espreitava a tua cadeirinha
a certificar-se se estarias bem.
Ajudou-me a dar-te banho,
a mudar-te a fralda,
a pentear-te com muito jeitinho.
Um bebé grande a cuidar de uma bebé pequenina.
Cresceste com ele a teu lado:
a apertar-te as bochechas,
a dar-te beijinhos babados,
a aborrecer-te,
a divertir-te.
A proteger-te.
Acima de tudo a proteger-te.
Sempre.

O que és: sei eu.
Sei-o a cada dia que passa:
a minha menina.
Sempre.
Aconteça o que acontecer.



domingo, 27 de abril de 2014

As rugas da inocência



Não sei se valerá a pena
desenterrar fantasmas,
lutar contra moinhos
que tinham ficado algures
numa vida passada.
(A inocência tem rugas
disfarçadas de responsabilidade.)

Arrancar de nós
o que nunca se sentiu na ponta do dedos,
mas bem no meio da alma;
abanar a estrutura que nos suporta
para sacudir as teias que nos enredam e sujam.
(A inocência tem rugas
disfarçadas de ponderação.)

Não sei se não será melhor
o tempo desfocar memórias
e seguir caminho
rumo ao que nos aguarda.
Esperar
que as rugas disfarcem de vez
a criança que habita em nós…


sexta-feira, 25 de abril de 2014

Era uma vez...



Dois mundos.
Dois muros.
Unidos pela solidão
pincelada de aconchego.
Um canto sem voz.
Esquina virada do avesso.
Dois muros.
Desconhecidos na criação.
Razão
porque juntos são um.

Dois mundos
caiados de felicidade
que o tempo apressa
com as heras daninhas.

Um canto.
Da vergonha
por deixarem a sua humanidade
trespassar o muro da perfeição.
Derrotados,
derrocados,
pedra ante pedra.
Ruínas de um castelo
ainda por construir.
História de encantar
desencantada com o final que lhe coube.

Era uma vez…


segunda-feira, 21 de abril de 2014

Virias?



Não sei porque não sei
se virias.
Não sei se te sei.
Não sei se te sou.
Não sei.
E neste turbilhão de nada te saber
balanço tremida se saber seria bom.
Gosto de pensar que sim:
virias a correr, sôfrego.
Seria bom.
Virias sem pensares na razão.
Virias porque querias.
Virias porque Sim: sou eu.
Tal como sou
de cada vez que me sinto
a fugir de mim:
se te vejo
ou se te sonho.
Será que virias?