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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Memórias de amanhã



Estou a construir
as memórias de amanhã.
As que desfruto hoje
para recordar
algures adiante
no caminho que me espera.
Estou a agarrar, com todas as minhas forças,
os momentos bons que ainda tenho,
guardando-os dentro do que sou
e do que me faz.
Estou a construir-me
para poder demolir
as minhas fragilidades de alma.
E cada lágrima derramada,
cada pedaço que a vida me esfarrapa
faz-me apreciar o momento
que se segue.
Só assim me sinto capaz
de construir as memorias de amanhã.
As minhas.
E as de quem sou.


domingo, 26 de janeiro de 2014

O dia depois da noite



Adormeço
nos braços do meu cansaço.
Meus olhos
têm o peso do compasso
que acompanha
o desenfrear de mim.
Sinto-me fundir
nos lençóis perfumados
de serenidade e o som
faz silêncio para me levar
com ele nas asas do que sou.
De corpo leve
e alma lavada,
ando por onde nunca estive:
vejo-me como outro que não eu
sendo eu para além deste ser
que me é.
E quando regresso,
aperto contra o meu peito
a graça de ver a vida à minha frente
e afago-lhe cada uma das suas pedras
com mãos de pai
e coração de mãe.
O dia vem sempre depois da noite.


segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Da verdade



Viver a verdade
é viver de verdade.
É ser sem medo de perecer
na teia da ilusão.

A verdade tem rosto de criança
e alma de velho.
Tem voz de eco no vazio
que invade as certezas que já eram.

Viver a verdade
é viver na dimensão
do tempo com tempo
e com jeito.

Quantas vezes a urna
encerra corpos vazios de vida
e enterra verdades
que mais ninguém conhece?

Apenas por falta de tempo.
Apenas por falta de jeito.


domingo, 29 de dezembro de 2013

A origem do acaso



Trajectos que se cruzam
na planície da existência.
Encruzilhadas linhas
que ninguém percebe:
só o tempo, com a calma
que lhe é devida
(qual mestre oriental),
consegue dar provas
dos porquês dos acasos:
os tropeções que recebemos;
as pessoas que aprendemos.

Os acasos não existem.
As coincidências também não.
Nascemos na escuridão;
crescemos  na dúvida;
partimos iluminados.
E é essa luz que nos orienta,
que nos ensina
e que nos diz que, afinal,
TUDO vale a pena.
Não fosse a vida a origem
de todos nós.


sábado, 28 de dezembro de 2013

Um dia...



Vou dizer-te
o que não sinto no que cuidas
com mãos de  zelo.
Vou contar-te
o que não vejo no teu olhar
atento no mais além.
Vou falar-te
as palavras, muitas, presas
no tempo que não vivemos.
Vou mostrar-te
quem sou desde sempre:
há muito apagado
no medo de te perder
sem nunca te ter sido.
Vou despir-me
e, de olhos fechados,
vou sentir-me o menino
que sou diante de ti.
Vais saber-me…
um dia.