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sábado, 23 de novembro de 2013

Só e apenas



A dimensão de apenas
reduz o muito a pouco.
Apenas só.
Apenas isso.
Como se tornar pequeno
fosse tornar menos importante.
Como se o pequeno
fosse incapaz
de se mostrar realmente grande.
Apenas.
Condiciona conceitos.
Cria preconceitos.
Tão simples.
Tão redutores.
Advérbio cheio de segundas intenções:
justificado por uma qualquer dificuldade
imaginada pela sua humanidade.
Razão atrapalhada.
Visão imaginada.
Apenas.
E só.


terça-feira, 19 de novembro de 2013

Vou



Vou.
Sou sangue vida.
Se não vou, também não fico.
E estar subtrai-me da equação:
razão que me faz
ser quem sou.

Vou.
Ali. Ou mais além.
Pouco importa.
O meu sonho
é encontrar e enfrentar
os meus anseios e receios.

Vou.
Do difícil farei vitória.
Do simples minha memória.
Não esqueço por onde andei,
nem quando tropecei
nas agruras da minha existência.

Vou.
Sem dar ouvidos
às vozes que atormentam
a lucidez que ainda tenho.
Sou o ânimo que preciso
para me descobrir...


terça-feira, 12 de novembro de 2013

Leito de Inverno



O leito em que me deito
nas noites frias de inverno
tem um sabor especial:
vontade de acordar
e ficar.
Ouvir a chuva bater na janela
e não me importar.

O bem que me faz à alma
sentir o corpo aquecido
no descanso do que me pertence.

Não posso abandonar
a almofada e deixar esfriar
os segredos que contei:
o dia já é longo
e os prazeres raros.
Venha depressa a lua
que o sol também amarga.

Saber que esta simples
cumplicidade minha                                               
sabe tanto e a tão pouco…


domingo, 10 de novembro de 2013

A razão das minhas palavras



Nem sempre sei o que escrevo:
nem sempre escrevo sobre este eu
que se deixou apoderar
da multiplicidade que há em mim.
Sou mulher:
amada, abandonada;
destemida, sem medida
num planeta onde posso
ser quem eu quiser.
Posso falar de voz grossa e barba feita
ou ser criança no baloiço que me recordo.
Brinco com as palavras que tanto gosto
e construo castelos extraídos do olhar que crio.
A razão das minhas palavras
é a razão que me afasta da crueza da realidade
e me transporta no dorso alado da imaginação;
é a razão que me faz ser quem sou:
obstinadamente: eu.


sábado, 9 de novembro de 2013

A tua esmola



Não aceito o meio dar.
Dar é ímpar. É indivisível.
Ou te dás por inteiro,
ou não te dás:
guardas-te para relíquia
do teu próprio museu.
E, acredita!, ninguém
irá visitar um museu
com alguém que apenas
gosta de se mostrar.
Tens que te dar. Entregar-te
com a generosidade de quem é genuíno
nas acções e reacções.

Não aceito essa tua esmola
de mão aberta e braço encolhido
à espera que me estenda.
Que te mendigue.
Não sou pedinte.
Ou te dás por inteiro,
ou podes fechar para sempre
essa mão cheia de sacrifícios
e vazia de vontade.
Não preciso de esmolas.
Preciso de impulsos
recheados de dedicação
coberta de afectos.