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domingo, 10 de novembro de 2013

A razão das minhas palavras



Nem sempre sei o que escrevo:
nem sempre escrevo sobre este eu
que se deixou apoderar
da multiplicidade que há em mim.
Sou mulher:
amada, abandonada;
destemida, sem medida
num planeta onde posso
ser quem eu quiser.
Posso falar de voz grossa e barba feita
ou ser criança no baloiço que me recordo.
Brinco com as palavras que tanto gosto
e construo castelos extraídos do olhar que crio.
A razão das minhas palavras
é a razão que me afasta da crueza da realidade
e me transporta no dorso alado da imaginação;
é a razão que me faz ser quem sou:
obstinadamente: eu.


sábado, 9 de novembro de 2013

A tua esmola



Não aceito o meio dar.
Dar é ímpar. É indivisível.
Ou te dás por inteiro,
ou não te dás:
guardas-te para relíquia
do teu próprio museu.
E, acredita!, ninguém
irá visitar um museu
com alguém que apenas
gosta de se mostrar.
Tens que te dar. Entregar-te
com a generosidade de quem é genuíno
nas acções e reacções.

Não aceito essa tua esmola
de mão aberta e braço encolhido
à espera que me estenda.
Que te mendigue.
Não sou pedinte.
Ou te dás por inteiro,
ou podes fechar para sempre
essa mão cheia de sacrifícios
e vazia de vontade.
Não preciso de esmolas.
Preciso de impulsos
recheados de dedicação
coberta de afectos.


quarta-feira, 6 de novembro de 2013

O sorriso das estrelas



Beleza invertida
repousada nas imperfeições
que a natureza nos oferta.
Reflexo rasteiro,
matreiro,
com a esquerda a fazer-se de direita
e o que parece nada agradável
surge em forma de espelho
para que apreciemos
o mundo ao contrário.
Não é perfeito:
a nitidez estremece
com a brisa que teima em correr
e a sua cor depende da luz do dia.
Mas está ali.
Para nos vermos à distância
de um olhar cabisbaixo
(lição de harmonia depois da tempestade)
e porque as estrelas também
sorriem debaixo dos nossos olhos.


segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Na calada da noite



Oiço a distância dos ruídos
da vida vivida no frio da rua.
Pequenos sons da natureza
humana em busca do conforto
que parece nunca chegar.
Existências que trespassam
pela minha leve passagem:
cruzamentos sem paragem:
viagens que cabem
na palma de uma Mão.

Na calada da noite:
a nudez do corpo
veste a alma: sobretudo
impermeável aos preconceitos
do que não se vê, mas deseja.
Osmose de essências
que se encontram.
Que se são.
Não há dia que desperte
tanto como o silêncio da escuridão.


domingo, 3 de novembro de 2013

O grito calado


Quando me sentires ausente de palavras
e vires a desilusão a embaciar o meu olhar:
entraste em mim:
ouviste a minha alma a gritar:
por ti.

Na minha boca cresce a inaptidão
de proferir o que o meu silêncio
tão bem diz.
Grito calada com o punhal
que me cravaste no que sou.

Mas tu não sentes a minha ausência
e nem olhas para o meu olhar:
ainda não entraste em mim:
nunca ouviste este meu grito:
tão meu e tão dorido.

E da minha boca nunca ouvirás
qualquer lamento
entre palavras que ficam e vão.
Ficarei aqui a gritar
até que me sintas.

Enquanto a minha alma tiver voz...