Os olhos
vêem o que a cabeça sabe
ou não sabe
deste mundo padrasto
que nos
recebeu sem querermos
ser acolhidos
nos seus braços frios.
A inocência
que trazemos
com a nudez
da nossa alma
vai esmorecendo
à medida
que o peso dos
trapos tapadores
do que já
não somos
vai
aumentando.
Os olhos de
uma criança vêem
para lá da
realidade crua:
percorrem
lugares esquecidos
no cativeiro
do tempo;
sentem o
calor do sol apagado
pelos dogmas
do nosso limite.
Afortunadas
as crianças que crescem,
no infinito
dos seus desejos,
a construir
momentos sem fim
e a
partilhar memórias ainda por revelar.
Haja
crianças com olhos assim…




