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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Memórias de amanhã



Estou a construir
as memórias de amanhã.
As que desfruto hoje
para recordar
algures adiante
no caminho que me espera.
Estou a agarrar, com todas as minhas forças,
os momentos bons que ainda tenho,
guardando-os dentro do que sou
e do que me faz.
Estou a construir-me
para poder demolir
as minhas fragilidades de alma.
E cada lágrima derramada,
cada pedaço que a vida me esfarrapa
faz-me apreciar o momento
que se segue.
Só assim me sinto capaz
de construir as memorias de amanhã.
As minhas.
E as de quem sou.


domingo, 13 de outubro de 2013

A saudade presente



Existem as mais variadas formas de saudade. Podemos ter saudade de locais, de acontecimentos, de vivências, de momentos, de partilhas, de conversas, de nós, dos outros, dos nossos. De tudo e de nada.
Ter saudade é bom. É sinal que já vivemos algo de tão aprazível que, uns anos (ou dias, ou semanas, ou meses) mais tarde, sentimos o tal aperto, a tal nostalgia que nos faz querer recuar no tempo e vivenciar todas aquelas emoções que ficaram bem lá atrás. É sinal que fomos felizes e, se calhar, na altura, nem sabíamos. É sinal que a vida continuou e mudou e avançou.
Mas ter saudade é (como todos nós sabemos) dor, sofrimento, afastamento de quem mais gostamos e preocupamos. É estarmos longe, mas querermos estar perto, ali, ao pé. É a saudade daquilo, daquele. Do além. Esta é a saudade dolorosamente normal e universalmente conhecida e aceite.
No entanto, a pior das saudades (a saudade que não mata, mas magoa mais do que mil distâncias) é a saudade presente. A saudade de quem somos, mas não temos. A saudade do que temos, mas não vivemos. A saudade ignorada. Fria. A saudade presente: o corpo inerte que circunda as redondezas da infelicidade. A saudade do que vemos, mas não nos vê. A saudade sem suspiros, nem abraços apertados. A saudade da falta de amor sentido. A falta de saudade por amor perdido.
Existem as mais variadas formas de saudade. Mas há saudades mais salutares do que outras.


domingo, 6 de outubro de 2013

Como te imagino



A tua entrada frondosa,
e polida, refresca-me
a memória apagada
pelo tempo.

Era feliz. Era catraia.
E, quando folheio as recordações
que em mim habitam,
és toda brilho e encanto.

(Adorava brincar
neste país encantado
com as fantasias que cresceram
juntas com a minha infância.)

Foste tu que me acolheste
quando suspirei pela primeira vez -
és a prova viva da felicidade
na simplicidade.

Não és como te imagino.
És como te vejo:
agora:
a casa que me viu nascer.

sábado, 21 de setembro de 2013

A Carta



 “Meu filho,

és carne que fiz no amor
que me unia ao teu saudoso pai.
Cedo percebi que, também, tu
serias passageiro na minha vida.
Antes que o tempo te embarcasse
para além deste mar
que tantas vezes me viu chorar,
fiz-te a fortaleza que és.
Não te dei à luz:
tu, meu filho, é que me deste a luz
que me iluminou
ao longo de todo o meu caminho.

Chegou agora o momento:
a vida quer-te a voar
para o horizonte que anseias.
Não temo por ti - sei de que és feito.
Apenas esta imperfeição de mãe
queria que os olhos vissem para sempre
o que a alma sente desde o primeiro instante.
Não ligues: não irei ver-te,
mas irei olhar-te à distância de uma palavra
cheia de tudo aquilo que te desejo:
um ano com pegadas de gigante
e uma mala repleta de concretizações.”


sábado, 14 de setembro de 2013

O lugar da aldeia



Viver na aldeia é viver em comunhão; em comunidade; de porta aberta e janela escancarada.
É viver no lugar onde todos se conhecem e cumprimentam com palavras que se ouvem.
É viver pelos vizinhos
as suas dores;
as suas mágoas;
as suas tragédias
e voltas da vida.
É viver na boca de um povo apreciador de um qualquer deslize na casa alheia: haja abade que perdoe tais pecados!
É viver na melodia da natureza envolta em campos e lavoura e árvores e flores e raízes e terra.
É viver e conviver com a manada imponente que passa na rua; com o rebanho a tilintar às ordens de pastores humanos e caninos.
Viver na aldeia
é suor,
é labuta,
é dureza,
é imundície nos pés
e calos nas mãos.
É viver de galochas e ancinhos; sacholas e foices ao pé da cama prontos a acordar com o galo a cantar.
O lugar da aldeia passa despercebido pelo tempo que muda com as luas e desperta com o sol.

Ainda bem que há lugares assim!