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domingo, 2 de junho de 2013

Uma cesta cheia de nada



A tentação limita a razão.
A tentação de se ajuizar,
e mesmo julgar,
apenas pelo veredicto, falacioso,
dos nossos olhos.
A nossa visão, crente:
vê beleza onde há disfarce;
vê elegância onde há penitência;
vê riqueza onde há ostentação;
vê felicidade onde há encenação.
Os nossos olhos,
fúteis e preconceituosos,
trazem consigo o fardo da inveja.
Também ela fútil.
Também ela preconceituosa.
Se limpássemos os nossos olhos,
com a razão que anda esquecida,
veríamos, tudo, com a clareza
do que é transparente.
Assim? Assim, vemos uma cesta bonita,
mas uma cesta cheia de nada
rodeada de flores murchas
envenenadas pelos próprios olhos.


domingo, 12 de maio de 2013

Viajar de mota



Sentir o vento tocar-me na pele
arrepiada pela emoção.
Ver o asfalto, ali tão perto,
e sentir que o poder está em mim.
Ouvir o barulho do motor
e o meu corpo a vibrar com a aceleração.
Ver a natureza com olhos
de quem passa e aprecia
a perfeição do que é belo
e inalar o cheiro da vida
criada por um Deus perfeito.

Sentir o vento a fustigar-me a pele
arrepiada pelo frio que trespassa a roupa.
Ver o asfalto, ali tão perto,
a querer acolher-me nas trevas
e brindar-me com o sorriso de Satanás.
Ouvir o barulho, ensurdecedor, do motor
e  o meu corpo a tremer com um pavor incontrolável.
Ver a natureza a uma velocidade
impossível de ser vista
e inalar o cheiro mecânico
criado pelas mãos, engenhosas, do Homem criador.

Viajar de mota: duas visões; uma só viagem. 


quarta-feira, 8 de maio de 2013

O sonho de ser famoso



Quem sou eu, afinal?
O meu sonho não é este.
Quero que me vejam;
que me reconheçam;
que se dirijam a mim
com palavras de agrado;
que me perguntem
se sou mesmo eu que ali estou.
Quero os holofotes;
os microfones;
as máquinas fotográficas e de filmar
todas viradas para mim.
Não sou vaidoso.
Apenas quero que a fama
dê brilho a esta minha vida ignota
e que, daqui a muitos anos,
seja relembrado com o carinho
dos que deixam saudades.
Não sou egocêntrico.
Apenas sou eu, sem máscara,
nem fantasia,
completamente despido
de vergonha daquilo que quero para mim.
O meu sonho não é este que vivo,
mas o que está para vir…  


segunda-feira, 29 de abril de 2013

O mendigo



Parado. Encostado a um canto. Cheio de uma vergonha que só tu conheces.
Sussurras palavras imperceptíveis traduzidas na tua mão, trémula, estendida.
As pessoas andam apressadas, enquanto tu, pobre miserável (ostracizado por esta sociedade autista), queres, apenas, pão para saciar a fome que não te larga.
Outrora homem de trabalho duro, foste tramado pelas tramas da vida.
Enfraquecido, naufragaste num mar revolto e enregelado pelo egoísmo da modernidade.
Questionas-te, muitas vezes, como é que chegaste tão fundo neste poço, mas a resposta tarda em chegar.
Não sabias o que te esperava (ninguém sabe, aliás).
Culpas-te pela não vida que tens. Culpas os outros. O mundo. A própria vida.
Aqui não há culpado, nem culpa. Apenas a mão do triste acaso. E o acaso pode sempre mudar. Precisa é da ajuda de todos nós e que tu te deixes realmente ajudar.


sexta-feira, 12 de abril de 2013

Arrogância



Preciso de ser arrogante.
Arrogante com as vicissitudes
que me são apresentadas.
Arrogante com o comodismo
e o conformismo.
Vou encher o meu peito
de uma certeza que não conheço
e libertar, finalmente,
este fogo que me apaga.

Preciso de ser arrogante.
Arrogante com uma guerra
que, sei, tenho que enfrentar.
Arrogante com o medo
e a incerteza.
E com toda esta minha arrogância
irei escudar-me
da arrogância
das minhas inquietações...