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sábado, 20 de julho de 2013

Veias de lágrimas



Nas minhas veias
corre o coração
que me bate
no peito irrequieto
à procura de me encontrar;
corre o ar
que respiro
na ansiedade nervosa
do amanhã atrasado;
corre a força que sou;
as fragilidades que tenho;
a vida que pulsa.
Nas minhas veias
corre a alma
que me invadiu
o corpo que já foi meu:
perdida
no espectro do que me espera
e me afugenta:
a passagem obscura
do que não conheço.
Nas minhas veias
correm as lágrimas
que não choro…


terça-feira, 16 de julho de 2013

Se eu pudesse



Se eu pudesse,
pegava nos ponteiros
do relógio e andava
com eles até
mudar o rumo da vida
de quem gosto:
fazia dos sonhos
a realidade por que suspiram.

Se eu pudesse,
pegava no mundo
de pernas para o ar
e sacudia a poeira
das almas aflitas;
fazia do caos
a ordem necessária:
a beleza da perfeição.

Se eu pudesse,
fazia a borboleta voar
até ao início da vida:
seria o renascer
de um mundo novo:
a ressurreição
de toda a existência
do universo.


segunda-feira, 15 de julho de 2013

A mentira



A ilusão de uma vida.
A traição de quem sofre
os horrores de um engano.
Viver sob a nuvem, escura,
da verdade vestida de fantasia
alberga um rastilho
de desconfiança e dor.
A mentira nunca é mentira
para a eternidade:
é, enquanto a sua perna curta
não estreitar caminhos
e, cansada, revelar-se:
qual fruta envenenada
pela larva da podridão.
E a dúvida, amiga da mentira,
traz consigo todos os fantasmas
até então guardados
nas rendas da suspeição.
Começa aqui o fim
do que poderia ser para sempre…


quinta-feira, 4 de julho de 2013

O homem que não ri



Andas cabisbaixo,
por onde quer que passas,
sem veres a vida
que te rodeia.
Sem proferires
grandes palavras,
tratas de ti
com a pressa que te convém.

Nunca ninguém te viu sorrir.
Nunca ninguém te viu conversar.
Todos te reconhecem na rua:
não há pessoa que te conheça a alma:
és um pária de ti mesmo.

Ninguém sabe da tua vida:
a tua vida só a ti interessa.
Eles não sabem
a tragédia que te ceifou
quem mais amavas
numa outra vida que já tiveste.
Tal desilusão matou-te:
nunca mais respiraste
com o mesmo fôlego.
Andas como quem vive morto
para a vida que te é indiferente.

Não és estranho.
Não és misterioso.
És apenas o homem que não ri
por não poder amar quem já amou.


quarta-feira, 3 de julho de 2013

Quando o sino toca



O silêncio impera.
A aridez da minha alma
embacia as emoções.
Estou perdida
na teia que criei:
que local é este?  
Os meus pés sentem-se presos
às mãos que não sinto.
Choro a impotência,
cobarde:
a corda está apertada de mais:
corta-me o pulso da minha
frágil respiração.
Vislumbro
o túmulo, macabro,
no mais fundo de mim:
é agora.

Ao longe
(com a obstinação de um eco):
o sino toca. Uma e outra vez.
E Insiste.
E chama por mim
com voz maternal.
O seu toque, nervoso,
grita-me as palavras
que precisava ouvir.

Sinto-me levantar
com uma força
mais forte do que a própria força.
De pé,
com as mãos firmes
para  o que quero,
vou em direcção
ao horizonte que me espera.
O sino não pára de tocar...