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sexta-feira, 4 de outubro de 2013

O mundo ainda tem salvação



Acredito em possibilidades,
em barreiras transponíveis,
em becos a espreitar pela saída.
Acredito que acreditar é possível
nesta ilha global em que vivemos
rodeados de ganância por todos os lados.
Acredito no todo. No Homem.
Na sua massa. Na sua génese.
Acredito no vento, nas marés,
nas tempestades, nos cataclismos.
Na natureza como mãe
de uma família esquecida de si
e virada para o espólio da cobiça.
Acredito na razão da vida.
Nos caminhos tortuosos
que tomamos para um fim
desenhado ainda antes do princípio.
Acredito na força da fé,
da vontade, das acções,
das concretizações.
Acredito no olhar de uma criança,
no silêncio da mulher sofrida,
no grito do homem fortaleza.
Acredito. Tudo tem salvação.
Sem egoísmo. De coração.


terça-feira, 17 de setembro de 2013

Cansado porque sim



Porque estou cansado?
Se não trabalhei a terra debaixo do sol cheio de pujança e sem perdão;
se não andei na rua atrás da pressa sempre com pressa de chegar nem sabe onde;
se não transpirei o pensamento inquieto na procura de respostas que me seduzam,
porque estou cansado?
Foi, então, que percebi: não posso contrariar este meu estado de estar.
Vou fazer uma longa pausa sentado na preguiça, com as pernas elevadas sobre o prazer, e debruçar-me sobre as pálpebras pousadas na minha alma.
Vou devolver-me ao sono e perder-me na imensidão de coisa nenhuma.
Se estou cansado, quem sou eu para me contrariar?


sábado, 14 de setembro de 2013

O lugar da aldeia



Viver na aldeia é viver em comunhão; em comunidade; de porta aberta e janela escancarada.
É viver no lugar onde todos se conhecem e cumprimentam com palavras que se ouvem.
É viver pelos vizinhos
as suas dores;
as suas mágoas;
as suas tragédias
e voltas da vida.
É viver na boca de um povo apreciador de um qualquer deslize na casa alheia: haja abade que perdoe tais pecados!
É viver na melodia da natureza envolta em campos e lavoura e árvores e flores e raízes e terra.
É viver e conviver com a manada imponente que passa na rua; com o rebanho a tilintar às ordens de pastores humanos e caninos.
Viver na aldeia
é suor,
é labuta,
é dureza,
é imundície nos pés
e calos nas mãos.
É viver de galochas e ancinhos; sacholas e foices ao pé da cama prontos a acordar com o galo a cantar.
O lugar da aldeia passa despercebido pelo tempo que muda com as luas e desperta com o sol.

Ainda bem que há lugares assim!

 

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Dentro de portas



“Olha-me este! Quer a janta acabadinha de fazer para: chegar: sentar: abocanhar: grunhir: levantar: sair. Aqui a escrava que faça (e bem feito!) e que arrume. Ao que parece não faço mais do que a minha obrigação.
Depois de um dia extenuante no emprego, tenho uma noite extenuante em casa. Quando finalmente estico os meus ossos, na cama forjada de sangue e lágrimas, e acho que vou ter o meu momento de descanso: chega o gajo! Estou lixada! O vasilhame tropeça nas paredes da casa; insulta os móveis por estarem no meio do caminho. Chama por mim: não lhe respondo: estou a dormir.
Mas o que é isto? Agora queres que te dê a minha dignidade: a única dignidade que me resta? Acedo. Quero-te longe de mim. E depressa. Vá. Despacha-te com isso! Já está? Óptimo.
Cai para o lado: vira as costas: o ronco eleva-se ao nível do insuportável (curiosa analogia). Levanto-me. Tenho que me lavar. Tenho que o tirar de mim para me sentir limpa.
Agora? Agora, vou ter o meu sossego. Amanhã será outro dia. Talvez. Quem sabe… ”



terça-feira, 10 de setembro de 2013

Somos transformação



O nosso mundo
está diferente.
Em transformação
Desagregação.
Evolução.
Tudo muda
num piscar de olhos.
Uma década passada é:
foi uma eternidade
nas asas de um falcão.
As crianças perderam a rua;
a rua perdeu espaço;
o espaço perdeu a liberdade;
a liberdade não existe
neste mundo tão crescido.
Temos máquinas.
Temos conhecimento.
Temos tudo.
Temos nada do que tínhamos:
o diamante ainda por delapidar.
E, civilizados por uma civilização
de índole primitiva,
vamo-nos iludindo  
no sonho de uma criança
que apenas quer crescer…