Sei que, para ti, não sou fácil de perceber:
vês-me com os olhos alinhados por um prumo.
Mas, para me saberes, tens de ver para lá do conceito.
Apaga o igual: escreve a multiplicação: verás a transparência de tudo
o que sinto.
Por ti. Pelos outros. Por mim. Pela vida:
o acaso de viver uma que não é minha:
se calhar, foi por isso que demorei a chorá-la quando saltei mãe fora
e realidade dentro:
se calhar, apercebi-me que o local não era suposto ser aquele e a
altura deveria ser outra.
Esta alma inquieta quer desconformar tudo:
dar luz ao não se passa nada:
dar sentido ao desnorte que abomina.
Não sei viver na pele que não dói:
na alma que não grita.
E eu grito.
Grito quando preciso sair porta fora para não me asfixiar na razão
teimosa
e deixo-me levar pela liberdade de ser apenas eu com tanto por sonhar:
o propósito de conhecer mais almas para além da tua:
se calhar, foi por isso que demorei a sentir vida quando sentia apenas
corpo:
se calhar, apercebi-me que o choro de outrora foi uma simples matreirice
do destino que me quis ver fora de mim…

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