Não sei se valerá a pena
desenterrar fantasmas,
lutar contra moinhos
que tinham ficado algures
numa vida passada.
(A inocência tem rugas
disfarçadas de responsabilidade.)
Arrancar de nós
o que nunca se sentiu na ponta do dedos,
mas bem no meio da alma;
abanar a estrutura que nos suporta
para sacudir as teias que nos enredam e sujam.
(A inocência tem rugas
disfarçadas de ponderação.)
Não sei se não será melhor
o tempo desfocar memórias
e seguir caminho
rumo ao que nos aguarda.
Esperar
que as rugas disfarcem de vez
a criança que habita em nós…

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