Uma pergunta simples
que ouvia com a complacência
de quem ainda vê
o caminho longo diante de si.
E ela estava ali.
A contemplar o tempo.
A apreciar o calor
dos dias que custavam a passar.
Uma pergunta simples
de quem me via ao longe
e me interpelava
porque me via ao longe.
E eu passava.
Com pressa.
Sempre com pressa
de deixar aquela que foi a minha rua.
A minha vida.
E regressar para continuar
a escrever a minha história:
uma folha de cada vez:
cada vez mais densa.
Mais pesada.
Uma pergunta simples
que não mais vou ouvir.
Nunca mais ninguém,
naquela que foi a minha rua,
me vai ver ao longe
e perguntar:
“Já vais?”
A minha
resposta ficou sem pergunta…

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