Nem sempre
sei o que escrevo:
nem sempre
escrevo sobre este eu
que se
deixou apoderar
da
multiplicidade que há em mim.
Sou mulher:
amada, abandonada;
destemida,
sem medida
num planeta
onde posso
ser quem eu
quiser.
Posso falar
de voz grossa e barba feita
ou ser
criança no baloiço que me recordo.
Brinco com
as palavras que tanto gosto
e construo castelos
extraídos do olhar que crio.
A razão das
minhas palavras
é a razão
que me afasta da crueza da realidade
e me
transporta no dorso alado da imaginação;
é a razão
que me faz ser quem sou:
obstinadamente:
eu.

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